Geral

Sem-terra cobra combate a grileiro

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Os sem-terra acampados no Horto Florestal Aimorés, em Bauru, estão cobrando do Governo do Estado uma ação efetiva contra grileiros, que teriam invadido parte da área de reserva ambiental, e querem que o terreno seja destinado à reforma agrária.

Ontem, representantes dos sem-terra e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) reuniram-se com o vereador Milton Dota Jr. (PTB), que no ano passado denunciou a presença de grileiros no horto. “Se a área não pode ser destinada para reforma agrária por força de contrato, vamos respeitar. Mas o Estado também não pode permitir a grilagem. Tem que dar melhor destinação a essa terra”, diz Celso, um dos sem-terra.

O vereador prometeu contatar os deputados estaduais Carlos Braga (PTB) e Pedro Tobias (PSDB) para, através deles, solicitar uma audiência com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) visando discutir a destinação das terras do horto. “O horto, que é patrimônio do Estado, está sendo delapidado. A Procuradoria Regional de Bauru está defendendo o Estado nas ações contra os grileiros”, explica Dota Jr.

O horto pertence à Ferrovia Paulista S/A (Fepasa), mas está arrendado à Votorantim Celulose e Papel (VCP), que mantém no local 1.850 hectares de eucaliptos plantados para a produção de celulose. Estão acampados no horto, na área arrendada à (VCP), cerca de 115 pessoas do movimento Terra Nossa.

A VCP obteve na Justiça liminar para reintegração de posse imediata da área ocupada pelos sem-terra. Mas após negociação com a Polícia Militar (PM), na semana passada, os sem-terra ganharam novo prazo para sair do terreno: o próximo dia 27.

Representantes do movimento Terra Nossa afirmam que vão desocupar a área dentro do prazo. Até ontem, no entanto, não estava definido se o grupo vai acampar em outra área ou se cada um dos integrantes retornam para suas cidades de origem.

Hoje, eles devem ter uma reunião com o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). José Carlos Silva e Souza, assessor-chefe do Itesp, informou que o órgão não tem, por enquanto, nenhuma outra área para a transferência dos sem-terra.

Os sem-terra reivindicaram à PM ônibus e caminhão para desocupar a área. O major Pedro Lamoso, comandante operacional do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior, está tentando viabilizar os pedidos dos sem-terra junto a entidades da cidade.

O delegado Dinair José da Silva, do 4.º Distrito Policial, solicitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vistoria no acampamento dos sem-terra. “A Polícia Técnica esteve hoje (ontem) e fez fotos do local. Mas também pedimos ao Ibama que verifique se houve ou não dano ao meio ambiente”, explica.

Comentários

Comentários