O ex-presidente da Câmara Municipal, vereador Walter Costa (PPS), tem prazo até as 18h de amanhã para encaminhar seu depoimento por escrito à Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras.
Na última reunião, os membros da comissão de investigação decidiram, por unanimidade, estender por mais dez dias o prazo dado a Costa para o encaminhamento do seu depoimento.
A Consultoria Jurídica do Poder Legislativo estava com dificuldades para notificar o vereador. Seu gabinete ficou fechado por vários dias seguidos e a notícia era de que o ex-presidente estava em viagem de férias.
O vereador João Parreira (PSDB) chegou a sugerir na última reunião que a CEI retirasse oficialmente o pedido para que Costa encaminhasse seu depoimento por escrito. O tucano foi o autor da proposta que culminou na exigência do depoimento do ex-presidente da Câmara.
Mas naquele mesmo dia (13 de janeiro), Costa foi notificado pela Consultoria Jurídica. Ele se comprometeu a encaminhar suas declarações até o final daquela semana, o que não aconteceu.
O ex-presidente do Poder Legislativo chegou a ser convocado pela CEI no início de dezembro passado para depor. Mas apresentou um ofício justificando que havia agendado, anteriormente à convocação, uma consulta médica, o que o impossibilitou de prestar esclarecimentos.
Sua reconvocação foi decidida por unanimidade, mas Costa apresentou um atestado médico que o proibia de se expor a situações de estresse emocional. O documento alegava que o vereador estava acometido de labirintofastia, mal que provoca a perda momentânea de memória.
Na próxima segunda-feira, os vereadores Luiz Carlos Valle (PSB), José Humberto Santana (PV), João Parreira (PSDB), Partor Luiz (PL) e José Eduardo Ávila (PPB) - todos membros da comissão de investigação - voltam a se reunir para avaliar e definir os rumos das apurações.
Perguntas
Parreira, responsável pelo pedido que intimou Walter a depor, foi o primeiro vereador membro da comissão de investigação a encaminhar suas perguntas, num total de 14.
O parlamentar tucano quer saber qual foi a parceria firmada entre o ex-presidente da Câmara e seu ex-vice-presidente, Roberto Bueno (PTB).
Bueno é acusado de ter assumido o comando administrativo e financeiro da Câmara durante a gestão de Costa, embora negue que tenha desempenhado tal tarefa.
Parreira indaga ao ex-presidente se realmente ele delegou poderes ao então vice.
O vereador também quer saber se Costa concorda com a afirmação de Bueno, na qual ele diz que tudo o que foi realizado na Câmara foi feito com o conhecimento e com a autorização do então presidente.
O membro da comissão de investigação indaga ao ex-presidente do Legislativo se é verdade a afirmação do ex-diretor administrativo da Casa, Luiz Renato Joel, de que todas as compras feitas pela Câmara eram concretizadas através de sua autorização.
Parreira questiona o ex-presidente sobre se ele, em algum momento, solicitou auxílio de seu ex-vice-presidente na condução administrativa do Legislativo.
Depois de receber as respostas que serão encaminhadas por Costa à CEI, os membros vão avaliá-las e decidir se haverá ou não a necessidade de convocá-lo para prestar mais esclarecimentos, só que com sua presença pessoal à comissão.
Segundo informações extra-oficiais, o ex-presidente do Legislativo respondeu de próprio punho todas perguntas encaminhadas pela CEI. Ele não foi localizado pela reportagem do Jornal da Cidade para se posicionar sobre o assunto.