Garça - A delegada Márcia Cassoni, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Garça, deve concluir esta semana o inquérito policial que investiga um suposto estupro praticado por um lavrador contra a própria filha - uma adolescente de 15 anos.
Ela aguarda apenas a conclusão do laudo do Instituto Médico Legal (IML), comprovando a gravidez, para anexá-lo ao processo. Depois de concluído, o inquérito será remetido ao Fórum.
O crime, ainda não comprovado pela polícia, teria sido praticado há oito meses, em uma fazenda, no distrito de Jafa. O lavrador, de 42 anos, nega qualquer participação na gravidez da filha.
A menina, no entanto, segundo informou a delegada, é categórica ao afirmar que o filho que está esperando é de seu pai.
Apesar de ter sido provocada há oito meses, a história só chegou ao conhecimento da DDM na semana passada. De acordo com a delegada, agentes da saúde souberam da gravidez da adolescente e foram até a fazenda com o propósito de levá-la ao Posto de Saúde para fazer exames e receber assistência médica até o parto.
Durante a conversa, os agentes descobriram que a gravidez havia sido provocada pelo pai da adolescente. A menina foi encaminhada ao Conselho Tutelar e de lá para a DDM.
No depoimento à delegada, a adolescente teria dito que teve duas relações sexuais com o pai. Ambas sob ameaça.
Assim que soube do suposto estupro, Márcia solicitou à Justiça a prisão temporária do acusado. Entretanto, seu pedido foi negado, com base na argumentação de que a menina não estaria sofrendo nenhuma ameaça por parte do pai.
Segundo a delegada, a adolescente deixou a casa do pai, por medida de segurança, e foi recolhida em uma instituição assistencial.
Assim que concluir o inquérito, Márcia deverá pedir novamente a prisão do lavrador.
Além do pai, a adolescente convivia na casa com outros dois tios. Os quais, segundo a vítima, nunca tentaram agredi-la sexualmente. Segundo a delegada, a garota é órfã de mãe desde os dois anos.
De acordo com informações obtidas pela DDM com alguns vizinhos da fazenda, o lavrador teria o costume de “beber muito†e de chegar em casa embriagado. O suposto estupro pode ter sido praticado, segundo a polícia, em decorrência de uma dessas “bebedeirasâ€.
Na opinião da delegada, a adolescente tem uma “história de vida tristeâ€. Depois de perder a mãe, ela passou a viver em casas de parentes. Foram 11 anos sendo levada de um canto para outro. Há dois anos, no entanto, a Justiça determinou que ela fosse morar com o pai.
Foi feito então um acompanhamento judicial do caso, que não foi suficiente para evitar a gravidez.
De acordo com a delegada, após o nascimento da criança será feito um exame de DNA para comprovar cientificamente a paternidade do recém-nascido.
Mesmo sabendo que o filho passará pelo exame de DNA - famoso pela sua precisão em apontar a real fonte genética - a adolescente continuou afirmando que ficou grávida do próprio pai, segundo informou a delegada.
Caso o resultado aponte realmente para o lavrador, como o responsável pela gravidez, ele será indiciado por estupro e poderá ser condenado a uma pena que varia de seis a dez anos de prisão.
A identificação dos envolvidos não foi fornecida pela polícia para não expor publicamente a adolescente.