Faltam professores de física e química na rede estadual de ensino de Bauru para dar aulas no ensino médio. Levantamento feito pela Diretoria Regional de Ensino aponta uma defasagem de 16% de profissionais para as duas disciplinas.
Das 54 escolas estaduais da Diretoria de Ensino, nove ainda não têm professores para estas matérias para este ano letivo, que começa em fevereiro. O dirigente de ensino, Jair Sanches Vieira, diz que professores de outras especialidades assumirão as aulas vagas.
Bacharéis (profissionais que não estudaram para dar aula) também serão contratados temporariamente. Eles terão que participar de um curso de capacitação para depois dar aulas. A rede estadual de ensino de Bauru conta com onze professores efetivos e 43 temporários na disciplina de física.
Para ministrar aulas de química, existem 13 professores efetivos e 28 temporários, afirma Vieira. Segundo ele, a falta de professores especialistas nas áreas de química e física, sempre existiu porque a maioria dos professores não opta por estas áreas, consideradas as mais difíceis.
A professora de matemática e física Andrea Calixto afirma que no ensino médio tinha dificuldades nas duas disciplinas e por isso resolveu estudar ainda mais. “Eu abracei o desafio. Para mim, a dificuldade foi a inspiração para estudar a física, uma área que precisa de dedicação dobrada, pois as respostas para as perguntas não são simplesâ€, descreve.
Andrea é formada em matemática com habilitação em física e dá aulas há cinco anos. Vieira diz que a falta de professores preocupa a Diretoria de Ensino. Segundo ele, oferecer as aulas para professores que não têm habilitação em física e química, apesar da dedicação, pode prejudicar o aluno. “Professores não especializados, por não ter muita afinidade com o conteúdo, não conseguem despertar o interesse do alunoâ€, diz.
Sirlei Roca, coordenadora do curso de química da Universidade do Sagrado Coração (USC), diz que a carreira é procurada por pessoas que têm afinidade com a disciplina. Segundo ela, a procura é razoável, mais poderia sem maior se o ensino médio tivesse mais professores especializados na área.
“Professores formados em química têm mais facilidade para ensinar e fazer o aluno gostar da matériaâ€, destaca. Professora de química do ensino superior, Setsuko Sato afirma que muitos dos seus alunos optam por trabalhar na indústria e não seguem a carreira de magistério.
Ela afirma que de uma turma de 20 alunos do curso de química, para qual deu aula no ano passado, apenas três vão seguir carreira de professor. Setsuko atribui ao salário de professor, considerado baixo, e ao gosto pela pesquisa a escolha da maioria dos alunos.