Cultura

Só 'milagre' salva desfiles em Bauru

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

“As perspectivas de se fazer os desfiles das escolas no Sambódromo são muito improváveis. Só se acontecer um milagre”. A afirmação, da diretora do departamento de Ação Cultural da Prefeitura, Ariane Ribeiro de Barros, dá uma idéia real das chances de realização do Carnaval 2003 na passarela oficial do samba bauruense.

A exemplo do ano passado, quando o Sambódromo já ficou às moscas e o Carnaval limitou-se apenas a desfiles de rua isolados em bairros da cidade, a indefinição volta a marcar a data festiva em 2003.

Este ano, a Prefeitura decidiu permitir que a Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec) explore economicamente o Sambódromo por três anos para que as instituições possam captar recursos para financiar os desfiles.

Entretanto, como em 2002, a administração bauruense nega-se a destinar verbas para as escolas realizá-los este ano, mas em contrapartida, compromete-se fornecer todo apoio e infra-estrutura no caso de possíveis desfiles no Sambódromo, incluindo eventuais consertos e reformas do espaço e segurança.

Além disso, a Prefeitura fixou um prazo - final de novembro até início de dezembro de 2002 - para os representantes das escolas de samba decidirem se haveria ou não desfile no Sambódromo e comunicar a administração.

E é justamente esse o maior problema. Como o prazo expirou e, a pouco mais de um mês para o início do Carnaval, nada ainda foi definido, a probabilidade do Sambódromo ficar sem os desfiles é enorme. “Precisaríamos de um tempo hábil para providenciar as reformas necessárias e executar serviços que envolvem várias secretarias municipais”, explica Ariane.

Para ela, assuntos como esse precisam ser resolvidos com, no mínimo, seis meses de antecedência para evitar atropelos de organização. “Enquanto não começarmos a conversar o Carnaval em julho, essa indefinição continuará a ocorrer sempre”, profetiza a diretora.

Entretanto, Ariane ressalta que nada impedirá a Lesec de estudar outras alternativas para os desfiles serem efetuados no Sambódromo, como arrumar um patrocinador para reformá-lo. “Além disso, Carnaval não se limita apenas aos desfiles. De repente, eles podem levar um trio elétrico ao local, pois têm o direito de explorá-lo economicamente”, considera ela.

“Xeque-mate”

Segundo Ariane, o desfecho do “imbróglio” deverá ocorrer somente nesta segunda-feira, a partir das 14h30, quando representantes da Lesec reúnem-se com integrantes da Prefeitura Municipal e da Secretaria de Cultura.

Por isso, a liga marcou para hoje uma reunião que poderá selar os rumos do Carnaval 2003 na cidade.

O presidente da Lesec, Avelino de Souza, que não quis revelar o horário e o local do encontro ao JC, informou que na oportunidade os representantes das instituições carnavalescas discutirão propostas para a realização dos festejos.

Ele também não adiantou se elas estariam relacionadas aos desfiles no Sambódromo.

Entretanto, a exemplo da diretora cultural, Souza acrescentou que a decisão só será conhecida após a reunião de depois de amanhã. â€œÉ quando daremos o xeque-mate sobre o assunto”, garante ele.

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