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Prazo para sem-terra sair do Horto Florestal termina hoje

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Termina hoje o prazo dado pela Polícia Militar para que o grupo de sem-terra acampado no Horto Florestal de Aimorés em Bauru, deixe o local. A Justiça concedeu uma liminar de reintegração de posse imediata das terras no último dia 15, quatro dias depois da ocupação. Os sem-terra pediram um tempo para a organizar a desocupação e o comando da PM concordou em aguardar dez dias.

O grupo, formado por aproximadamente 115 pessoas, diz pertencer ao recém-criado movimento Terra Nossa - organização que luta pela reforma agrária. Eles ocuparam o horto sob a alegação de que as terras figuram no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como uma das áreas passíveis de desapropriação para reforma agrária.

O Horto Florestal de Aimorés faz parte da Fazenda Aimorés, que pertence à Ferrovia Paulista S/A (Fepasa). A fazenda está arrendada para a Votorantim Celulose e Papel (VCP) desde 1990 e o contrato vai até 2011. A empresa mantém cerca de 1.850 hectares de eucalipto plantados para a produção de celulose, o que descaracteriza a alegação de que a terra é ociosa.

A assessoria de imprensa da VCP tem declarado que, como arrendatária, a empresa é responsável pela manutenção da área. Defendendo seus direitos, a VCP acionou a Justiça para pedir a reintegração de posse das terras. A liminar foi concedida no último dia 15 pelo juiz João Augusto Thomaz Parra, da 1.ª Vara Cível de Bauru.

No despacho, o juiz determina que os sem-terra deveriam sair do horto imediatamente. Ao receber a notificação, no entanto, o grupo alegou que precisaria de 25 dias para tomar as providências necessárias para a desocupação. O comando da PM concedeu um prazo, mas apenas de dez dias, que vencem hoje.

A reportagem do Jornal da Cidade esteve no acampamento ontem, mas representantes do grupo não quiseram dar entrevista. Questionados sobre a intenção de deixar o horto hoje, eles responderam que só se pronunciariam hoje. A equipe foi impedida de entrar no acampamento, mas de fora era possível ver que as barracas continuavam montadas.

De acordo com o subcomandante interino do 4.º Batalhão da PM, capitão Benedito Roberto Meira, cerca de 50 policiais estarão no local hoje pela manhã para acompanhar a desocupação. “Fizemos uma reunião com eles na última sexta-feira e ficou acertado que eles sairiam pacificamente”, informa.

Indagado sobre a possibilidade de os sem-terra desobedecer o acordo, Meira afirma que já está planejada uma segunda operação para amanhã, com aproximadamente 150 policiais, com o objetivo de fazer cumprir a determinação judicial.

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