Economia & Negócios

Apagão e tarifa alta retraem consumo

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O consumo de energia elétrica em Bauru teve crescimento de apenas 1% no ano de 2002, índice três pontos percentuais menor do que a média histórica: 4% ao ano. O maior responsável pela desaceleração seria o comportamento “econômico” das famílias, que passaram a consumir menos energia por conta do racionamento de 2001 e das altas tarifas.

O número leva em conta dados do consumo de energia nas 234 cidades atendidas pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

De acordo com o diretor de Planejamento e Comercialização da companhia, Marco Antônio Siqueira, o consumo de Bauru tem comportamento “muito próximo” ao do restante dos municípios atendidos pela CPFL. Segundo ele, o consumo anual da cidade está em torno de 550 GW/h (gigawatt/hora, equivalente a um milhão de quilowatt/hora - kW/h).

De acordo com Siqueira, o baixo crescimento do consumo em 2002 se deve, principalmente, à ameaça de apagão, que fez com que os consumidores passassem a economizar energia elétrica, e também ao momento de recessão econômica.

“São duas coisas misturadas: tem o reflexo do apagão, que contribui com uma mudança de hábito principalmente nos consumidores residenciais, e tem também o efeito da economia, que fez com que a indústria retraísse seu consumo no ano passado”, diz o diretor da CPFL.

A análise é corroborada pelos números da Secretaria de Energia do Estado de São Paulo. De acordo com o órgão, o consumo residencial caiu 2% em 2002 em relação ao ano anterior. “Além da massa de renda no ano passado ter caído em relação ao ano anterior, teve também aumentos reais de tarifa”, observa Siqueira.

O setor industrial, por outro lado, apresentou leve crescimento no ano passado. O consumo cresceu 2,1%, um alívio se comparado com o ano de 2001, que registrou queda de 89,9%.

No total do Estado, o consumo de energia elétrica apresentou elevação de 0,8%, índice pouco menor do que o registrado em Bauru. Ainda segundo dados da Secretaria de Energia, em 2002, São Paulo consumiu 88.458 GW/h.

O presidente regional do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp), Carlos Augusto Ramos Kirchner, concorda que a desaceleração no consumo se deve ao apagão e à recessão por que passa o País. “O consumo de 2002 foi igual ao consumo de 1999. É como se nós tivéssemos pegado uma máquina do tempo e retroagido”, diz.

Kirchner afirma que o consumo residencial médio também caiu desde o início do racionamento de energia elétrica em junho de 2001. A média em cada residência passou de 170 kW/h a 182 kW/h para 142 kW/h. Em São Paulo, a média atual é de 169,7 kW/h, segundo a Secretaria de Energia. “A conta também está pesando bastante no bolso do consumidor”, ressalta o presidente do Seesp.

Perdas

De acordo com Siqueira, a CPFL está tendo perdas financeiras mesmo com os aumentos na tarifa de energia elétrica - que fechou 2002 com reajustes acima da inflação do período. O diretor afirma que a companhia é obrigada a manter os equipamentos ociosos, “apesar dos pesares”.

“Você investe o dinheiro mas não recupera o investimento porque o mercado não se realizou”, declara Siqueira. Segundo ele, será impossível reverter os maus resultados em 2003, recuperando a pouca elevação do consumo no ano passado.

“Esperamos alguma coisa melhor, mas não chegando aos níveis históricos de crescimento”, diz o diretor da CPFL, que prevê para este ano taxa de crescimento maior que o 1% registrado em 2002, mas menor que os históricos 4%.

Na opinião de Kirchner, do Seesp, a previsão de cresimento é um pouco mais positiva. “A percepção é que existe uma perspectiva de crescimento razoável daqui para a frente”, declara.

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