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Tempo chuvoso prolongado altera o humor das pessoas

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

Dias chuvosos são mais tristes? Para muita gente, sim. Preguiça, desmotivação e mau humor são sintomas freqüentes em dias cinzas. As vítimas desse mal dizem que a falta do céu azul e do sol brilhando acentuam a vontade de fazer programas caseiros.

“Dá preguiça, sono e desânimo. Quando eu acordo e vejo que está chovendo, dá vontade de deitar de novo”, diz André Luís, 21 anos. “Hoje (ontem) mesmo eu tinha que sair de casa às 7h. Quando eu abri a janela e vi a chuva, desanimou bastante. É ruim para caramba”, enfatiza.

A atendente Andréa Souza, 30 anos, conta que fica mais mal-humorada nos dias cinzas. â€œÉ ruim trabalhar com chuva. O lazer também fica comprometido porque não dá para levar a criança ao Zoológico ou a uma praça. Só dá para ir ao cinema”, expõe.

Os trabalhos domésticos são outra dificuldade cotidiana em dias úmidos. “Não dá para fazer nada, a casa fica com cheiro ruim e não dá para lavar roupa porque ela não seca no varal”, reclama a atendente.

Já o mau humor de Cláudio Roberto Alves, 24 anos, que trabalha com comunicação visual, tem outro motivo. Ele diz que nos dias de chuva ele fica impedido de fazer as atividades que havia programado.

“Principalmente sair à noite. Você marca um encontro e bem na hora começa a cair aquele pé d’água. Ultimamente está caindo água de mais em Bauru”, opina. “Ficar em casa é monótono. Eu prefiro os dias de sol, dias secos”, destaca Cláudio.

Em casa

A alternativa que ele encontra são os programas caseiros. Assistir televisão e distrair-se com jogos são algumas das saídas para Cláudio. “Quando está chovendo, não tem opção em Bauru. Tem que usar uma distração caseira e solitária. Em grupo, só se for uma reunião na casa de amigos”, explica.

A estudante Simone de Souza, 21 anos, diz que se sente mais feliz nos dias de sol. Já Priscila Franco não se sente triste em dias de chuva porque fica em casa com o namorado.

Apesar de alterações no ânimo motivadas pelos dias chuvosos, a recepcionista Carla Frigério, 28 anos, diz que consegue encontrar pontos positivos. “Eu acho que tudo o que vem da natureza é bonito, então tento ver por outro lado”, conta.

Ficar em casa parece ter sido a opção preferida das pessoas nos últimos dias. É o caso da vendedora Ana Paula Lima, 19 anos. “Quando eu estou na cidade eu quero ir embora o mais rápido possível para ficar em casa. Dá uma deprimida”, afirma.

Tristezas

Uma das explicações para a tristeza típica de dias chuvosos é que nessas situações as pessoas enfrentam a difícil tarefa de lidar com elas mesmas. A avaliação é da psicóloga Ana Cristina Pereira.

“A tendência de a tristeza, a melancolia e a depressão piorar aumenta. Nos dias chuvosos, as pessoas têm de ficar mais quietas e entram em contato com elas mesmas, com suas tristezas”, expõe a psicóloga.

Na opinião de Ana Cristina, “olhar-se no espelho” torna-se um obstáculo porque as pessoas estão condicionadas a não prestar atenção nelas mesmas e viver para satisfazer os outros e expectativas alheias.

“As pessoas não sabem para quê vivem porque vivem para o social, para os outros. Elas não param para questionar o motivo de estarem vivas”, diz a especialista.

Em casa, os recursos para distrair-se do seu próprio eu são mais escassos. Estar com outras pessoas é sempre a maneira mais fácil de evitar voltar as atenções para a própria vida.

“Com chuva, os fumantes fumam mais; quem bebe, bebe mais. As pessoas comem mais por ansiedade. Na satisfação física, as pessoas buscam satisfação espiritual. É assim com o álcool, com as drogas, com o cigarro, com a televisão. São coisas que te afastam de você mesmo”, explica a psicóloga.

A solução, segundo Ana Cristina, é encarar e não fugir das tristezas. â€œÉ a única solução para acabar com as angústias, temores e pânicos. Não tem outro caminho para encontrar a serenidade, a paz interior e a confiança.”

Acima da média

O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) registrou que em Bauru, durante o mês de janeiro, já choveu 412 milímetros até as 10h de ontem.

O índice é considerado alto já que a média histórica de acúmulo de chuvas em janeiro, segundo o instituto, é de 277,3 milímetros. Em 2001, o acumulado de janeiro ficou em 352,8 milímetros.

Isso significa que até ontem, já havia chovido mais no primeiro mês do ano em relação ao mesmo período do ano passado.

Os altos índices de precipitação estão entre as características previstas para o verão na região. O trimestre dezembro-janeiro-fevereiro é considerado o mais chuvoso do ano.

As chuvas acontecem com freqüência e geralmente em forma de pancadas acompanhadas de trovoadas, rajadas de ventos e até queda de granizo.

A tendência para hoje, no Estado de São Paulo, é de nebulosidade com pancadas de chuva e trovoadas isoladas. Amanhã, o sol deve aparecer durante a manhã. Para a tarde, a previsão do IPMet é de nebulosidade e chuva.

Procura por filmes aumenta

Tristeza para uns, felicidade para outros. Quem deve estar gostando dos dias chuvosos e torcendo para que continue assim são os proprietários de videolocadoras. Alguns deles afirmam que no último mês o movimento cresceu cerca de 20%.

Em uma loja localizada na avenida Getúlio Vargas, na Vila Mariana, a procura foi maior durante todo o período chuvoso.

A proprietária Cláudia Rossi explica que o mês de janeiro geralmente já é promissor para o ramo da locação de filmes. Este ano, ele tem se revelado especial em virtude da intensidade das chuvas.

“Tem aumentado bastante a procura por todos os tipos de filme, principalmente aos finais de semana. Cresceu aproximadamente 20%”, diz.

Em uma videolocadora que fica no Jardim Panorama, a procura maior tem sido por vídeos da linha infanto-juvenil, segundo o proprietário Ricardo Padilha.

“Eu acho que as mães não têm o que fazer com as crianças e alugam fitas, principalmente as dubladas, para manter os filhos em casa. É uma forma de entretê-los”, expõe Padilha.

O dono da videolocadora estima que o aumento na procura por vídeos infanto-juvenis cresceu 20% em janeiro. Os outros filmes tiveram uma alta de cerca de 10%.

“O período de férias aquece a locação, mas a chuva ajuda mais. É uma oportunidade a mais que temos. Quanto mais chuva, melhor”, enfatiza.

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