Como temos repetido numerosas vezes, na imprensa escrita e eletrônica, o momento pelo qual passa o mundo atualmente tem todas as características que levam a pressentir a iminência de uma crise capaz de produzir profundas e preocupantes modificações do “modus vivendi†até agora vigorante.
O que marca singularmente este momento é que, segundo pensamos e submetemos à consideração do leitor, trata-se agora de algo de dimensões muito maiores e mais profundas do que as que se têm verificado em outras fases críticas da História moderna. De fato, segundo nos parece, estamos na iminência de encerrar um ciclo civilizatório, que haverá de anteceder outro, mais promissor e mais justo.
Realmente, parece bastante claro que a guerra contra o Iraque é, como temos dito tantas vezes, algo decidido e que independe das atitudes do sr. Saddam Hussein, cujo autoritarismo é apenas um pretexto, mas não o motivo real do conflito que se está preparando e, segundo nos parece, terá início antes do final do próximo mês. Os objetivos reais dos que o estão ameaçando são a posse do petróleo iraquiano, e o permanente incômodo que, ao Estado de Israel, representa a disposição hostil a ele manifestada pelo regime de Bagdá.
Não que Israel o tema. Afinal Israel possui abundante arsenal de armas de destruição em massa sendo, como é avaliado pelos estudiosos do assunto, a terceira potência nuclear do mundo, vindo atrás apenas da Rússia e dos EUA. A motivação principal, então, é o petróleo seguida pela disposição anti-sionista, que o conflito com os palestinos pode fazer alastrar-se e acentuar-se em outras áreas do mundo islâmico, hoje espalhado pelo mundo e contando com mais de um bilhão de seguidores. Representa o mundo islâmico, pois, ele sim, uma ameaça, de vez que, pelo menos o Paquistão tem também capacidade nuclear. No momento, o potencial a que nos estamos referindo não tem eficácia, exatamente porque dividido, com elites governantes, muitas delas, aliadas dos EUA, como todos sabem, com governos que se têm mostrado sempre totalmente submissos aos interesses israelenses. Na medida, porém, que continue a crescer nas massas islâmicas, o sentimento contrário à aliança que acabamos de mencionar, certos governos podem vir a ser substituídos por outros mais próximos, no particular, às disposições de Bagdá e de Teerã.
Os dados que acabamos de mencionar nas linhas acima, não são bastantes para configurar o caráter especialmente grave da crise que se avizinha e que mencionamos de início. Dados de natureza semelhante ocorreram em ocasiões anteriores. Agora, porém, o poder concentrado e simbolizado pelos EUA, na ânsia de promover um consumismo absurdo, transformado no objetivo central, senão único da existência humana, implantou uma ordem social completamente desvinculada dos alicerces da nossa civilização, alicerces judaico-cristãos, consubstanciados nas Escrituras, e a vem, crescentemente, paganizando e desumanizando. Com isso, cresce fora de controle o egoísmo, em todas as suas modalidades, e o desfecho, supomos, nós que acreditamos na Providência, consistirá no encerramento do ciclo civilizatório degradado em que estamos vivendo. Encerramento de que resultará o nascimento de outro, melhor, as dores de cujo parto se acentuarão dramaticamente, já a partir do próximo mês. (O autor, Jorge Boaventura, é colaborador do JC - e-mail: brasil@jorgeboaventura.jor.br)