O pintor de paredes Paulo Antonio Velasco era cliente do Banco do Brasil na época em que prestou serviços à Câmara Municipal, em janeiro de 2001. A informação chegou ontem à Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras. Velasco pediu ao vereador Osvaldo Paquito (PPS) que depositasse cheque no valor de R$ 1.682,58 em sua conta bancária, alegando que não tinha relações com bancos.
Mas o microfilme enviado pelo Banco do Brasil à CEI anteontem mostra que o segundo cheque recebido pelo pintor, no valor de R$ 1.679,55, foi depositado na sua conta bancária, cuja agência de abertura localiza-se na avenida Rodrigues Alves, em frente ao Cemitério da Saudade.
Segundo o documento, o pintor estava de posse do cheque, datado de 31 de janeiro de 2001, nominal à empresa Volare Comércio e Obras Ltda. - de propriedade de uma cunhada e de um sobrinho de Paquito -, efetuou o depósito na sua conta corrente e sacou o dinheiro em seguida.
A informação derruba as justificativas de Paquito e do próprio pintor para efetuar o depósito do primeiro cheque na conta bancária do parlamentar. No último dia 7, logo após o fato tornar-se público, o vereador disse que havia depositado o cheque em sua conta bancária a pedido de Velasco, que alegou não possuir conta corrente em nenhuma instituição financeira.
O fato novo surpreendeu os integrantes da CEI das compras, constituída pelos vereadores Luiz Carlos Valle (PSB), presidente; José Humberto Santana (PV), relator; João Parreira (PSDB), Pastor Luiz (PL) e José Eduardo Ávila (PPB), todos membros.
Para evitar situações que possam comprometê-los futuramente, eles preferiram não se manifestar sobre o assunto. Ainda ontem, Valle encaminhou ofício à gerência geral do Banco do Brasil em Bauru solicitando se a conta corrente do pintor foi aberta anteriormente ou posteriormente ao depósito do primeiro cheque na conta de Paquito.
A informação, que deve ser encaminhada ainda hoje, vai possibilitar checar se Velasco já tinha conta bancária na época em que pediu ao vereador para efetuar o depósito do cheque na sua conta bancária.
Segundo apurou o Jornal da Cidade, o pintor de paredes abriu a conta bancária no Banco do Brasil em 1997. Ela foi desativada em setembro do ano passado, o que supõe-se, portanto, que Velasco já tinha conta corrente na época em que pediu a Paquito que efetuasse o depósito do primeiro cheque.
“Eu não sabiaâ€
O vereador Osvaldo Paquito garante que desconhecia que Velasco tinha conta corrente no Banco do Brasil. Mas assume que mais uma vez tentou ajudar o pintor de paredes a receber o segundo cheque, chegando a lhe oferecer a conta bancária para depósito.
Ele relata que ligou para o gerente do banco, que teria lhe informado da possibilidade de sacar o dinheiro direto no caixa, mesmo com o cheque endossado e nominal à Volare.
“Eu pedi ao pintor que procurasse o gerente para que o cheque fosse descontado. Ele fez isso e, ao chegar lá, o gerente e o pintor foram informados pelo caixa de que não poderia sacar o dinheiroâ€, conta.
Segundo Paquito, Velasco foi questionado pelo gerente se ele tinha conta corrente no Banco do Brasil.
“O pintor informou ao gerente que tinha uma conta mas que estava parada há muito tempo. O que ele (gerente) fez: acionou a conta e viu que ela estava aberta. Então o pintor usou a própria conta dele. Depositou o cheque, sacou o dinheiro e foi embora para a casa dele. Mas eu não sabia da existência dessa conta deleâ€, afirma.
A reportagem do Jornal da Cidade não conseguiu localizar Velasco para dar a sua versão sobre o fato.