Duas moças, uma moradora de um bairro da zona leste e a outra no Parque Viaduto, procuraram a polícia ontem relatando terem sido vítimas de estupro.
O primeiro caso é de uma estudante de 17 anos, que acusa o seu padrasto, de 47 anos, de tê-la violentado sexualmente. A ocorrência foi registrada como averiguação de estupro. O segundo caso é de uma moça que afirma ter sido estuprada ao voltar para casa ontem, na altura da quadra 29 da rua Bernardino de Campos.
A adolescente, que procurou a polícia na madrugada, mora com a mãe e o padrasto desde setembro de 2002. Ela informou à polícia que no final de outubro o padrasto começou a obrigá-la a dormir com ele e manter relações sexuais.
Ela diz que não contou a ninguém o que estava acontecendo por medo da reação do padrasto. A garota confessou que eles já mantiveram relação sexual várias vezes. Anteontem, a adolescente estava em um telefone público perto de sua casa, ligando para uma amiga, quando o padrasto apareceu.
Ele teria xingado e agredido fisicamente a garota. Na noite seguinte, ela disse ao padrasto que dormiria em outro quarto. Ele teria reagido e entrado em luta corporal com a enteada, mas não manteve relação sexual com ela.
A adolescente foi ao Plantão Policial acompanhada por sua mãe, que pretende separar-se do marido. A garota foi ouvida ontem à tarde na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que está apurando o caso. O padrasto ainda não foi ouvido.
A segunda ocorrência de estupro foi registrada por volta das 14h30. Uma moça foi abordada por dois homens quando voltava para casa pela rua Bernardino de Campos, no Parque Viaduto, ao passar por um terreno baldio.
Segundo relatou à polícia, um dos dois homens portava uma arma de fogo e a estuprou sob ameaça. Muito assustada, a moça não conseguiu descrever direito as características físicas do agressor, que fugiu.
De acordo com a delegada Rejani Borro Tiriran, titular da DDM, a moça ficou com marcas vermelhas no rosto e com a roupa suja. A polícia está investigando o caso.
Com os registros de ontem, já são sete casos de denúncias de estupro em Bauru neste ano. Na semana passada, a DDM prendeu um rapaz que acabou confessando ter estuprado três das cinco vítimas até então.
Em casa
Segundo a delegada titular da DDM, muitas vezes as garotas vítimas de estupro dentro da própria casa demoram para comunicar a mãe por medo. “Ela fica na dúvida porque a mãe pode não acreditar, achar ruim ou ficar com ciúme. Muitas saem de casa por causa disso. Elas preferem sair a contar para mãe o que está acontecendoâ€, expõe Rejani.
De acordo com a delegada, os casos de estupros cometidos por pessoas que moram na mesma casa, como pais ou padrastos, não são raros. “Todo mês registramos casos dessa natureza. Para que ele seja caracterizado como estupro, é preciso que o homem use força física ou ameaçaâ€, explica.
Quando o estupro é praticado com abuso do pátrio poder (pai ou padrasto), ele passa a ser considerado um crime de ação pública. Isso significa que a investigação independe da vontade da mãe ou da vítima.
____________________
Orientações
Nos casos de estupros praticados em casa, por pessoas conhecidas, a delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Rejani Borro Tiriran, orienta as vítimas a não permanecerem caladas.
As adolescentes ou mulheres devem relatar o fato a alguém da família e procurar a polícia.
A delegada ressalta que existe a possibilidade de pedir a prisão do acusado, caso a vítima esteja com medo de ameaças. “A gente tem como solucionar esse problema. Trata-se de um crime hediondoâ€, enfatiza Rejani.
Já para evitar os demais casos de estupro, praticados em ruas ou outros locais públicos, é importante adotar procedimentos que dificultem a ação dos agressores.
Não andar sozinha em locais escuros e ermos é a principal dica às mulheres. Em caso de abordagem por estranhos suspeitos, a vítima deve tentar fugir entrando em algum estabelecimento comercial ou conversando com outra pessoa que esteja no caminho.
Se não conseguir fugir do agressor, a delegada orienta as vítimas a não reagir e tentar dialogar com ele.