Estes dias de copiosas chuvas foram uma verdadeira loucura na maior parte da cidade. No centro comercial, as volumosas enxurradas que desciam da parte alta espraiavam-se nas pistas das avenidas Nações Unidas, Duque de Caxias e Rodrigues Alves, bem como das ruas Batista de Carvalho, Primeiro de Agosto, Bandeirantes e Ezequiel Ramos, juntamente com as respectivas travessas, retendo por horas seguidas a circulação de pedestres, impedindo-os de deixar os passeios para tomar os seus destinos. Mas, não ficou nisso - o que já seria mais que suficiente - o grave problema provocado pelas desimpedidas correntes de águas pluviais: várias lojas, aquelas localizadas em esquinas, tiveram alagados seus recintos e danificados estoques, mostruários e tapetes.
Ouvimos muita gente criticando os prefeitos que já tiveram assento na principal poltrona do Palácio das Cerejeiras e deixaram a cidade com falha tão gritante e onerosa, inadmissível numa localidade do porte de Bauru, com 320 mil habitantes e já sendo considerada, desde muito tempo, um dos mais risonhos destaques do Estado e do País. Endossamos todas essas críticas porque vêm elas enriquecer substancialmente outras que em várias oportunidades alinhavamos em editoriais e apartes, lembram os leitores? Evidentemente, se nem nas baixadas, proximidades das faixas ribeirinhas, poder-se-ia admitir o flagelo das inundações nesta adiantada urbe, muito menos poder-se-ia admiti-lo num altiplano privilegiado como o da terra de Azarias Leite...
Daí, as observações que a imprensa tem formulado sempre que os ensejos se lhe deparam, quando defendem com vigor a necessidade de implantação de amplas galerias para as torrentes ao longo das artérias centrais ou não, objetivando não apenas a criação de condições para a livre circulação dos veículos e pedestres, nos dias de aguaceiros, mas ainda apagar da paisagem urbana o indesejado senão de enxurradas alagando vias públicas e penetrando em edificações comerciais e residenciais, problema provinciano ou “caretaâ€, como diz a linguagem típica dos jovens desta época. E, convenha-se, a expressão é pertinente, pois Bauru não é o despretencioso burgo de 50 anos atrás para ter ainda esse tipo de arranhão.
Sempre achamos que esse idoso problema decorre da circunstância de que os prefeitos geralmente não andam a pé, nem deixam as quatro paredes de seus gabinetes nos dias de tempestades e, por isso, não se capacitam para tomar conhecimento do que acontece ao derredor e para avaliar as suas tristes implicações na vida da Sem Limites. O que “os olhos não vêem o coração não sente†e, conseqüentemente, os motoristas da máquina administrativa talvez ignorem a extensão do problema, razão pela qual vão deixando sua solução para quando Deus for servido. E isso não vai dar para esperar. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)