Quando perdemos um ente querido nós sofremos muito, na maioria das vezes descobrimos que não estamos preparados para enfrentar a perda que a morte nos causa. Para que esse sofrimento diminua, nós procuramos nos apoiar nos ensinamentos que Cristo nos deixou: â€Não cai uma folha sequer no mundo que não seja pela vontade de Deusâ€.
Mas quando esse mesmo ente querido com 81 anos de idade entra em um “Pronto- Socorro†que mais parece um campo de refugiados em Tel-aviv após um bombardeio, com dores no peito e pressão na garganta...Você roga a Deus proteção e que seja feita a sua vontade. Daí eu me questiono quando essa pessoa de 81anos aparentando um quadro clínico que requer cuidado, até pela sua idade avançada, se depara com uma pessoa que na minha opinião não faz jus ao juramento de que um dia como médico fez.
Esse homem vestido de branco e com o seu poderoso estetoscópio a examina e diz que as dores no peito não são nada, é um sinal de bronquite. Pede-se a esse homem de branco que se tire uma chapa do peito, mas ele alega que ele e seu poderoso e infalível estetoscópio constataram que não há necessidade para isso, então o pedido é refeito para que se faça um eletrocardiograma, mesmo assim a resposta é negativa.
E como um todo e poderoso Homem-Deus que decide quem vive e quem morre pega a sua “poderosa caneta†e prescreve Polaramine a essa pessoa de 81 anos de idade com dor no peito e a manda para casa.
Esse mesmo paciente após três dias retorna ao mesmo “Pronto-Socorro Municipalâ€, que não passa de meia dúzia de salas com gente amontoada entre escombros sem um mínimo de estrutura física, respeito e dignidade para com o ser humano.
Só que desta vez o paciente retorna de resgate, pois acabou de ter um enfarto e em conseqüência da queda sofreu fratura craniana, desta vez os médicos presentes fizeram jus ao seu juramento, tentaram o possível e o impossível, mas infelizmente naquele momento o óbito foi inevitável. A caneta de um médico prescreveu Polaramine para uma senhora de 81 anos com dor no peito. Mas qual teria sido a caneta que aprovou a reforma do “Pronto-Socorro Municipal†neste momento, sendo que pacientes tiveram que ter ordem judicial para poder se internar, a emergência do Hospital Estadual ainda não está funcionando.
Em uma das vezes que estive no Hospital Estadual e o senhor prefeito Nilson Costa estava presente, pude testemunhar um cidadão fazendo elogios e externando a importância de tão necessária obra. O sr. prefeito, em tom jocoso, respondeu que “precisaria ver se ia funcionarâ€.
Gostaria de ter intercedido na conversa e lhe dado a resposta, mas a minha boa educação não me permitiu. Mas hoje lhe digo senhor prefeito: o sr. precisa analisar melhor as coisas sob a sua competência ou melhor dizendo incompetência. Sei que a resposta para esta carta virá de sua assessoria, pois não terá nem o trabalho de me responder. Provavelmente será algo do tipo: ao missivista fulano de tal...blá-blá-blá blá-blá-blá, assinado assessoria de imprensa da prefeitura de Bauru.
Mas deixo aqui meu nome assinado abaixo e a senhora de 81 anos que morreu em seu Pronto-Socorro se chamava Noemia e era minha querida avó. Quem sabe o senhor não pede emprestada aquela “poderosa caneta†do médico que receitou Polaramine e nenhum exame para a minha avó e faça algo verdadeiramente útil para o povo de Bauru: RENUNCIE. (Marcelo Graziani - RG 17.744.628)