Após 22 anos filiado nos quadros do PMDB, o deputado federal Milton Monti se desligou ontem do partido e já ingressou no PL. A ficha do parlamentar foi abonada pelo vice-presidente da República, José de Alencar. A expectativa agora, segundo analistas políticos de plantão, é que a saída de Monti não seja um fato isolado e que outros nomes devem seguir a liderança regional.
O deputado, que no ano passado se reelegeu com 130 mil votos, afirma que a decisão de deixar o PMDB já vinha sendo amadurecida há algum tempo. Nas últimas eleições, por exemplo, Monti fez questão de afirmar que a preocupação do PMDB paulista em lançar candidato próprio ao governo do Estado poderia trazer prejuízos ao partido.
Mesmo sendo um dos maiores defensores de candidatura própria, ele dizia que o momento não era o mais adequado e de repente uma aliança poderia fortalecer muito mais o partido do que uma derrota, naquela, segundo ele, presumível.
Monti afirma que sua saída do PMDB não tem um motivo específico e que vários acontecimentos colaboraram para a decisão.
Reclamando da existência de muitas lideranças e espaço restrito dentro do PMDB, Monti disse ontem que vislumbrou no PL uma possibilidade de uma reestruturação a nível de Estado e que seu ingresso no partido só teria a acrescentar. “Se eu puder fazer o partido crescer, com certeza crescerei junto. No PMDB isso estava mais difícilâ€.
Milton Monti, que foi prefeito de São Manuel aos 21 anos, deputado estadual por duas vezes e deputado federal pela segunda vez, nunca escondeu seu desejo de candidatar-se ao governo do Estado.
Mas como essa possibilidade ainda está um pouco longe já que as eleições para tanto só devem ocorrer em 2006, o objetivo, diz ele, é começar a preparar o PL para as eleições municipais do ano que vem. “Vamos estruturar o partido paras as próximas eleições. Isso não quer dizer que o PL terá candidatura própria em todas as cidades. Porque às vezes você faz o partido crescer mesmo só indicando o viceâ€, opina.
Na avaliação do deputado, o fato do PL não contar com grandes lideranças regionais não será problema já que a intenção é justamente a de estar reestruturando o partido. “Isso, de certa forma, facilita para que eu possa ter o comando nessas cidadesâ€.
Na região
Nas últimas eleições municipais da região, o PL elegeu prefeitos apenas nos municípios de Ibitinga, Florisvaldo Antonio Fiorentino e Igaraçu do Tietê, Carlos Alberto Varasquim, sendo que hoje os dois já deixaram o partido.
Já o PMDB elegeu prefeitos em Agudos, Reginópolis, Marília, Lençóis Paulista e Pratânia. Desses, apenas o prefeito de Lençóis, Luiz Antonio Marise deixou o partido.
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Partido perde, avalia prefeito de Agudos
A troca de partido do deputado Minton Monti pegou de surpresa vários políticos da região ontem. O prefeito de Agudos, José Carlos Octaviani, que assim como o deputado está há vários anos no PMDB, disse que apesar de surpreso entende perfeitamente a decisão. “O PMDB precisa se reciclar urgentementeâ€.
Na opinião do prefeito, o seu partido tem que se modernizar. “Infelizmente o PMDB está numa posição vergonhosa. As velhas lideranças têm que ser expugadas, são esses que estão fazendo com que o partido seja um partido que só fica onde há governo e não deve ser assimâ€, critica.