Economia & Negócios

Gasolina de Bauru é uma das mais caras

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 5 min

A gasolina vendida em Bauru é a terceira mais cara do Estado de São Paulo, segundo pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) feita em mais de 90 cidades. De acordo com o levantamento, o preço médio do litro do combustível na cidade em janeiro foi de R$ 2,223. A pesquisa, feita semanalmente em municípios de todo o País, verificou 74 (cerca de 50%) dos postos de Bauru.

O litro de gasolina mais caro do Estado, segundo a ANP, foi registrado em Caraguatatuba, no litoral norte: R$ 2,236. Em seguida, num “empate técnico”, Botucatu vem em segundo lugar, com o combustível a R$ 2,235.

Bauru, além de se posicionar em terceiro lugar, é a campeã estadual em dois quesitos. Os preços mínimo e máximo verificados são os mais altos entre as cidades paulistas pesquisadas: R$ 2,19 e R$ 2,55, respectivamente.

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Sebastião Homero Gomes, o preço da gasolina em Bauru está alto devido à “descapitalização” dos proprietários de postos. O problema seria decorrente de “promoções” feitas pelas distribuidoras, que teriam empurrado o valor da gasolina para baixo por muitos meses.

“Quando tem um aumento, é normal que se acomode o preço. E aí fica, até começar uma promoção de novo”, diz Homero. Segundo ele, as promoções são feitas para impulsionar a inauguração de postos pertencentes a determinadas distribuidoras. “Uma distribuidora inaugura um posto e põe o preço lá embaixo. Se o vizinho não puser, não vai vender nada”, afirma.

De fato, a gasolina chega aos postos da cidade a um valor médio acima do que chega em Araçatuba, por exemplo, que está a cerca de 200 quilômetros de distância de Bauru - mais longe, portanto, da refinaria.

O custo do frete, no entanto, não parece influenciar no preço do combustível. Em Bauru, segundo a ANP, a gasolina é vendida aos postos por R$ 1,876, em média. Já em Araçatuba, o litro do combustível custa R$ 1,828 aos empresários do setor.

“São seis distribuidoras que controlam o mercado, elas detêm 80% do mercado de combustível no Brasil. Então, o que acontece? Em determinadas cidades, ela (a distribuidora) impõe o preço”, afirma o presidente do Sincopetro.

A margem de faturamento dos postos é o outro fator que em Bauru se destaca em relação às demais cidades do Estado. De acordo com Homero, a margem deveria ser de 20% sobre o custo do combustível: cerca de R$ 0,375 em Bauru, tomando por base o preço médio de entrega da distribuidora. â€œÉ uma margem justa. Não é nem para ganhar dinheiro: é para cobrir e dar para tocar”, diz.

Pela pesquisa da ANP, a margem média dos estabelecimentos da cidade é de R$ 0,374 por litro. Em Catanduva, por exemplo, onde o preço médio das distribuidoras é de R$ 1,877, praticamente igual ao de Bauru, a margem média dos postos de combustível é de R$ 0,286. Segundo Homero, já houve ocasiões em que a margem média em Bauru foi de 5%.

O presidente do Sincopetro descarta a possibilidade de que possa haver um cartel de postos na cidade para elevar os preços. “Como é que é cartel com um monte de posto quebrado, um monte de posto fechado. Então é um cartel para se quebrar posto?”, indaga Homero. E completa: “Tem dono (de posto) que a gente não conhece, que é de fora.”

A reportagem apurou que vários postos da região central da cidade haviam diminuído os preços da gasolina ontem, que caiu para R$ 2,209. De acordo com Homero, esse é um exemplo do que ocorre quando um estabelecimento baixa os preços, obrigando os vizinhos a descer ao mesmo patamar.

Consumidor

O bauruense que aproveitou o mês de janeiro para tirar férias e viajar percebeu que o preço do combustível na cidade está mais caro do que na maioria das regiões do Estado. À exceção da campeã Caraguatatuba, cidades do litoral paulista estão com preço mais baixo. Em Santos, por exemplo, a média da gasolina nas bombas é de R$ 2,111.

O instrutor Carlos Gonçalves conta que esteve na cidade de Praia Grande há dez dias. Lá, segundo ele, foi possível abastecer o carro com gasolina a R$ 1,84. De acordo com a ANP, o litro do combustível no balneário em janeiro esteve, na média, a R$ 2,088.

“Eu acho um absurdo”, diz Gonçalves a respeito da gasolina em Bauru. “Os postos fizeram uma união entre si”, aponta o instrutor. E completa: “Ou você põe a gasolina ou deixa o carro na garagem”.

Na segunda-feira, inclusive, o consumidor deverá ter outra surpresa. Com a redução de 25% para 20% da porcentagem de álcool anidro misturado à gasolina, o combustível deve ter novo reajuste. De acordo com o presidente do Sincopetro, “cogita-se” um reajuste de 5%.

____________________

Botucatu

Em Botucatu, segunda colocada na lista de gasolinas mais caras do Estado, conforme levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP), um projeto de lei pretende aliviar o bolso do consumidor.

De acordo com o vereador Luiz Carlos Rúbio (PT), será apresentado um projeto na sessão da Câmara Municipal de segunda-feira com o objetivo de flexibilizar a lei que rege a instalação de postos de combustível na cidade. “Nós estamos com um projeto de lei que vai tentar facilitar que outros postos de gasolina venham para Botucatu. A lei municipal é muito restritiva ainda”, diz Rúbio.

Segundo o vereador, há uma comissão estudando o assunto, pois os moradores já teriam eleito a gasolina da cidade como a “mais cara de São Paulo”. De acordo com Rúbio, um dos “absurdos” da lei seria a determinação de que não pode haver um posto a menos de 2 mil metros do outro. “Aqui o lobby é forte”, diz. E observa: “Eles (os donos de postos) estão sempre dizendo que trabalham no vermelho.”

O vereador admite que possa existir cartel entre empresários do setor na cidade. “Nossos preços são muito combinados”, declara. “Espero que o governo federal mexa nessa questão dos preços”, completa Rúbio.

Comentários

Comentários