O presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Bauru (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, garantiu que a entidade vai continuar tentando impedir na Justiça a realização de nova eleição. Elias disse que, apesar do Tribunal de Justiça (TJ) ter mantido a liminar que suspende os efeitos da disputa realizada em chapa única, outros recursos serão tentados no Judiciário.
Pinheiro conta que respeita a estratégia do grupo de oposição à sua diretoria, mas adianta que não vai ceder. “Enquanto a gente tiver recurso disponível na Justiça vamos protocolar pedidos para manter a eleição que já ocorreu. Só vamos chamar novas eleições se houver uma ordem judicial expressa nesse sentidoâ€, aponta.
A posição de Elias Pinheiro vem depois que o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ), Antonio Vilenilson, decidiu manter, anteontem, a liminar que obriga a atual direção do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Bauru (Sindran) a registrar a chapa de oposição e a abrir prazo para a impugnação de candidaturas na eleição da entidade.
O advogado designado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) para defender os interesses do grupo de oposição, Márcio José Machado, entende que, diante da não cassação da liminar, a nova eleição tem que ser marcada.
Como o presidente do sindicato já avisou que não pretende estabelecer a disputa nas urnas com a oposição antes de buscar outras medidas judiciais, Machado adiantou que também vai ao Judiciário para a definição da situação. “O Elias tem que registrar a chapa, tem cinco dias para marcar a eleição a partir disso segundo o estatuto e deve abrir outras 72 horas para prazo de impugnação das candidaturasâ€, cita Machado.
Os oposicionistas, liderados por Glaudines Belmiro da Silva, vão tentar impedir que a estratégia do comando do Sindtran de continuar evitando a disputa eleitoral mantenha o caso em aberto.
De sua parte, Elias acrescentou que vai manter o cronograma de ação da entidade já em andamento. “Estamos preocupados com a remodelagem no sistema que já está em fase de implantação pela prefeitura e tememos por desemprego com a perspectiva de retirada de 30 carros das ruas. Estamos negociando com as empresas a manutenção dos postos atuais de trabalho por cinco anosâ€, conta.
Pinheiro não gostou da classificação de que a diretoria comandada por ele é pelega, citação esta feita em reunião realizada anteontem pela subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que apóia a chapa de oposição. “A CUT precisa definir o que é pelego, dizer se a visão de pelego é para os sindicatos filiados à central que não conseguiram manter os postos de trabalho sob o argumento de modernização tecnológicaâ€, reagiu.
Pinheiro ainda completou que boa parte dos sindicatos filiados à CUT não conseguiu reajuste salarial nas últimas negociações, ao contrário do Sindtran. “A CUT deve ver o resultado das negociações de vários de seus sindicatos com os patrões e, com base nesses resultados, definir o que é pelego. Nós conseguimos manter empregos e reajustesâ€, finaliza.