Tribuna do Leitor

Nilson Costa responde


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Meu caro Marcelo Graziani: a perda de um parente é sempre um fato muito doloroso e, por mais idade que este tenha, há uma tendência natural de a gente não admitir a morte. Talvez até seja um dos desígnios divinos que mais a humanidade se recusa a aceitar. Com a minha experiência de vida, entendo bem essa complexidade e o momento pelo qual você e sua família estão passando, motivo pelo qual quero que compreendam que respondo à sua carta com o meu mais profundo respeito.

Tivesse a sra. sua avó 91 ou 101 anos, quero crer que a sua reação seria a mesma. Não ousarei discorrer sobre detalhes científicos, técnicos, da medicina, porque isso seria uma atitude incorreta. A própria direção do PS deverá fazê-lo. Mas até onde o leigo pode comentar, quem é que pode garantir que a paciente não tenha chegado com um problema ao Pronto-Socorro num dia e retornado dias depois com um outro, diferente, mais grave, fatal? Meu caro Graziani, sem querer justificar nada, mas a morte, quando tem que vir, dribla tudo e a todos e acaba vindo, mesmo. E quando o caso envolve um idoso, então, nem se fale...

É curioso, mas para me criticar você usa o que seria a minha própria defesa! A reforma e ampliação do Pronto-Socorro Central. Deixando como estavam aquelas instalações precaríssimas, ultrapassadas, construídas para a Bauru de quase duas décadas atrás e receber críticas pela inércia, ou tomar a caneta, decidindo pela ampliação e reforma, transformando-o para maior e melhor, como o nosso povo precisa, mesmo enfrentando críticas como a sua, não tenho a menor dúvida em optar pela segunda alternativa. Sei, e todas as pessoas de bom senso também sabem, que é impossível fazer uma omelete sem quebrar o ovo. É o que ocorre atualmente no PS. Só pedimos um pouco de paciência à comunidade.

Nós, da Administração, sabíamos e sabemos dos incômodos causados durante os trabalhos ali realizados. Acompanho tudo e sei dos detalhes. Durante esta semana, foi montado um esquema com o Corpo de Bombeiros para que se pudesse mudar a central telefônica do PS. Todas as ligações para o 192 foram trianguladas para os Bombeiros (193) e deste para o PS, numa operação bem-sucedida, enquanto se mexia nos telefones daquela unidade de saúde.

Concordo que o ideal seria sincronizar, como você sugeriu, a nossa reforma com o início das atividades do novo Hospital Regional. Mas como as datas daquele lado sempre foram uma incógnita (quantos anos ficou parado o esqueletão do hospital não-concluído?) nem cogitamos pensar nisso. Tivemos amarga experiência quando, após decreto de situação de emergência, aguardamos por muito tempo e, sem qualquer êxito, a ajuda para refazer as pontes da av. Valdemar G. Ferreira e rua Mara Lúcia Vieira. Não queremos entrar em outra...

Seria uma hipocrisia dizer que a saúde está uma maravilha e que sua avó teve o atendimento considerado 100%, o mesmo que desejamos para todos. Os jornais, rádios e TVs trazem diariamente a triste situação da saúde no Brasil. Bauru se insere nesse contexto mas te garanto que o nosso esforço é para que aqui seja melhor, bem melhor.

Você também pede em letras maiúsculas a minha renúncia. Em seu famoso dicionário, Aurélio Buarque de Hollanda registra que “renunciar (do latim - renuntiare) quer dizer não querer, rejeitar, recusar”. Então, caro Graziani, já tenho renunciado muitas vezes, ao lado de minha equipe, e o convido a fazê-lo também. Por exemplo, ao rejeitar a Bauru em frangalhos e com suas dívidas que encontrei, procurando logo a seguir transformar tudo para melhor; ao recusar os salários ou vale-compra do funcionalismo, atrasados ou sem valor; não querer que a Educação e a Saúde ficassem estacionadas como estavam, a cultura sem um teatro, nossa biblioteca sem um teto próprio... Renuncio sempre o pessimismo, o derrotismo. Foram muitas renúncias. E outras, felizmente, virão! (Nilson Costa - Prefeito Municipal de Bauru)

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