Regional

A história por um triz em Piratininga

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 4 min

Piratininga - Um clima de nostalgia e expectativa cerca a possibilidade de restauração do imóvel que por anos foi sede do Club Piratininga, outrora símbolo de prestígio do poderio econômico do município. Há décadas desativado e hoje pertencente à prefeitura local, o prédio é objeto de estudo do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) e pode, num futuro próximo, ser tombado.

A notícia de que o Condephaat vai realizar estudos visando o possível tombamento do imóvel foi publicada na edição do dia 8 de janeiro último do Diário Oficial do Estado.

A medida ordenando a abertura do processo de tombamento assegura, desde logo, a preservação do bem até decisão final da autoridade competente.

A partir de agora, fica proibida qualquer intervenção que possa vir a descaracterizar a obra, sem prévia autorização do Condephaat. O descumprimento da medida pode acarretar em punição, com sanções penais previstas no artigo 166 do Código Penal Brasileiro e na lei 7347-85.

O Club Piratininga foi inaugurado em 1931 e por anos foi motivo de orgulho à comunidade local. A notícia do provável tombamento que por conseqüência pode facilitar a restauração no que diz respeito a conquistas de recursos financeiros para a obra, faz brilhar os olhos de muitos moradores, principalmente daqueles mais antigos que bailaram ao som de grandes orquestras.

Entre esses personagens está o casal Rubens e Maria da Penha Chiecco Crepaldi. Hoje, beirando aos setenta anos de idade, eles contam que “foram anos maravilhosos, de muitas lutas e glória”.

O “Baile do Algodão”, por exemplo, conta Rubens, era o mais esperado evento do ano. Fazia jus a uma das maiores riquezas do município que na época contava com duas grandes máquinas de beneficiar o produto que era cultivado na região.

A restauração do prédio estará propiciando também o resgate da história da cidade. “Afinal, relembrando o passado estamos preservando o futuro. E o que é uma cidade sem memória, sem história?”, indaga Maria da Penha.

Mas a restauração do Club Piratininga teria uma importância além do resgate de dados históricos, ponderam os moradores. É que o prédio fica na área central da cidade, no cruzamento das ruas Faustino Ribeiro da Silva e Plínio de Godoy e sua recuperação tornaria a triste imagem numa paisagem mais agradável.

Para o advogado Rodolpho Veronez, que mora praticamente em frente ao antigo clube e se diz um apaixonado pela cidade, a restauração do prédio “seria uma grande felicidade “.

Como sócio que foi do Club Piratininga, ele e sua mulher, Helena Swensson Ribeiro Veronez, garantem que teriam muito a comemorar com a preservação da história. “Se tivéssemos a felicidade de vê-lo restaurado, seria um orgulho imenso”.

Lacrado

Depois que o clube deixou de existir na cidade, há cerca de 30 anos, o prédio chegou a abrigar outros projetos que no entanto, também foram interrompidos. Para evitar invasões e mais danos, a prefeitura lacrou as portas e portões com alvenaria.

De acordo com o prefeito Odail Falqueiro (PFL), na eventualidade de uma restauração, tudo seria alterado novamente em seus mínimos detalhes, inclusive as janelas que estão totalmente descaracterizadas, uma vez que eram verticais de madeira e hoje são uma espécie de vidraças.

O que fazer do prédio

Uma vez tombado, o prefeito Odail Falqueiro afirma que não faltariam destinação ao prédio do antigo Club Piratininga. “Poderia vir a ser um centro de lazer, por exemplo”, diz.

Mas a destinação do imóvel ainda é assunto para uma segunda etapa. O principal, lembra o prefeito, é providenciar a restauração do imóvel que está bastante danificado e até descaracterizado se comparado a seu projeto original.

Se o tombamento se confirmar, o prefeito imagina que ficará menos difícil conseguir recursos para a obra. “Além de recursos públicos, poderemos recorrer inclusive à iniciativa particular”.

Outro morador que acompanha de perto a história do município e por conseqüência do antigo clube, é Hélio Pires. Ele já escreveu a respeito e prepara uma nova publicação.

Sobre a destinação que o imóvel deveria ter, ele é enfático ao afirmar que o poder legislativo da cidade deveria ficar com o prédio. Seria a história fazendo história. Hoje, a Câmara ocupa uma sala no mesmo prédio onde funciona a prefeitura.

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