De acordo com as estudantes Daniela Cruz Henriques e Fabiana Martins de Caires, a criança hospitalizada deve ter acompanhamento diário dos pais durante todo o tratamento. A presença constante da família proporciona conforto e segurança ao paciente, o que contribui diretamente para acelerar a recuperação.
No livreto “A Criança Hospitalizada - Manual de Orientação aos Paisâ€, as estudantes explicam que quando a criança é deixada sozinha num leito de hospital, se sente abandonada. Ela está num lugar estranho, passa a maior parte do tempo numa cama e nem sabe direito o que está acontecendo. Isso pode gerar medo e causar ansiedade, angústia, insegurança e depressão.
Em alguns casos, o paciente chega a apresentar transtornos emocionais importantes, com distúrbios de sono e linguagem, perda de peso, atraso no desenvolvimento e até episódios de agressividade. A experiência comprova que uma criança psicologicamente abalada demora mais para se recuperar.
Caires e Henriques salientam que a lei garante à criança o direito de ter um acompanhante durante 24 horas enquanto estiver hospitalizada. A preferência é dada à mãe, mas pode ser o pai, um irmão, um dos avós ou mesmo um amigo da família.
De acordo com a supervisora de enfermagem do Hospital de Base de Bauru, Débora Corrêa, que auxiliou na elaboração do manual, recomenda-se que os familiares se revezem no acompanhamento, principalmente quando a hospitalização é por tempo prolongado.
Além deste acompanhante, a criança também tem direito de receber visitas. “Mas os visitantes precisam seguir as normas do hospital. É muito comum aparecer alguém querendo entrar fora do horário de visitas e aí dá problema. As visitas são permitidas e muito importantes para o paciente, mas somente nos horários determinados e de modo que isso não cause tumulto no quarto da criançaâ€, explica a enfermeira.
Segundo ela, quando a família elege a mãe para ser acompanhante da criança, até o pai precisa obedecer o horário de visitas para entrar no quarto. “Mas há pais que estão trabalhando nestes horários, então a gente abre exceções e permite que ele entre por alguns minutos. Mas mesmo que seja por pouco tempo, só de ver o pai a criança já fica feliz e isso contribui muito para o tratamentoâ€, reforça.
A professora Maria de Fátima Belancieri, coordenadora do curso de especialização em Psicologia Hospitalar da Universidade do Sagrado Coração (USC) observa que, apesar da lei garantir acompanhante e visitas, algumas crianças acabam sendo deixadas sozinhas por dois, três dias, sem receber sequer visitas.
“Muitas vezes, isso acontece porque a família mora em outra cidade ou está trabalhando e não tem condições financeiras de visitar ou permanecer no hospital. Essas questões também precisam ser apuradas e discutidas pela equipe de saúde para que se consiga uma forma de solucionar o problema, pelo bem do pacienteâ€, observa Belancieri.
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Manual visa orientação
A idéia de montar um manual de orientação aos pais sobre crianças hospitalizadas surgiu quando as estudantes Daniela Cruz Henriques e Fabiana Martins de Caires iniciaram um estágio de psicologia na pediatria do Hospital de Base (HB) de Bauru. O estágio faz parte do currículo da disciplina de psicologia hospitalar na Universidade do Sagrado Coração (USC).
Elas contam que enquanto trabalhavam com as crianças, perceberam que os pais tinham muita dificuldade em lidar com a situação. Desinformados, eles se mostravam arredios, tinham muitas dúvidas e acabavam adotando posturas que comprometiam o tratamento dos pequenos pacientes.
“Nós vimos a necessidade de informar os pais sobre como agir com as crianças dentro do hospital: a questão do acompanhante, as visitas, a higiene, a alimentação, os direitosâ€, explica Henriques. “Também encontrávamos muitas crianças que iam para uma cirurgia ou exame sem entender o que estava acontecendoâ€, acrescenta Caires.
Observando as principais dúvidas, necessidades e ações inadequadas, elas elaboraram um manual de orientação. Para a professora que orientou o trabalho, Maria de Fátima Belancieri, o livreto foi criado para suprir uma necessidade de informar os pais sobre o processo saúde/doença e sobre a importância da participação deles nos cuidados com o paciente.
“Por isso, ele deveria ser entregue aos pais antes da hospitalização, para que quando surja o problema, a doença, os pais já consigam se preparar e preparar a criança para o tratamentoâ€, defende.
A supervisora de enfermagem da pediatria do HB, Débora Corrêa, ajudou na elaboração do manual e aprova totalmente a idéia. “Quando chegam ao hospital, os pais estão nervosos, assustados, chegam agressivos, querendo só o médico, desesperados para resolver o problema de imediato. Só depois de uma boa conversa e orientação é que eles se acalmam. O manual contribuiu muito para isso. Ele foi sensacionalâ€, comenta.
De acordo com a professora orientadora do trabalho, a disciplina de psicologia hospitalar tem como principal objetivo promover a humanização no atendimento à saúde. O profissional habilitado nesta área atua como intermediário entre a criança hospitalizada, a família e a equipe médica.
“A psicologia hospitalar deriva da psicologia clínica, aquela realizada em consultório em busca do autoconhecimento. No hospital, o que se busca é minimizar o sofrimento causado pelo adoecimento e pela hospitalização e o atendimento é prestado sempre que necessário, mesmo que o profissional tenha apenas 15 minutosâ€, completa.