Saúde

Higiene é negligência mais comum

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

A desinformação sobre os cuidados com a higiene dos visitantes e do paciente é um dos problemas mais freqüentes na hospitalização infantil, segundo a supervisora de enfermagem da pediatria do Hospital de Base de Bauru. O descuido vai desde a negligência com a lavagem das mãos até o descuido com migalhas de alimentos que caem no chão do quarto.

As alunas Daniela Cruz Henriques e Fabiana Martins de Caires, autoras do livreto “A Criança Hospitalizada - Manual de Orientação aos Pais” afirmam que é comum, por exemplo, a mãe acompanhante sair do quarto da criança para fumar fora do prédio e, ao retornar, esquecer-se de lavar as mãos.

Num hospital, é necessário lavar as mãos a toda hora: antes de entrar no quarto, antes de tocar no prato, talheres e copo do paciente, antes de ajudá-lo a se despir ou vestir, depois de lidar com o paciente, depois de usar o banheiro e assim por diante.

A pessoa hospitalizada está com seu sistema de defesa enfraquecido e “ocupado” pela doença. Visitantes podem levar inúmeros vírus e bactérias da rua para dentro do quarto dele. Por isso, todo cuidado é pouco.

Débora Corrêa comenta que para prevenir contaminações, o hospital mantém um enfermeiro na portaria durante todo o horário de visitas para receber e orientar quem entra sobre os cuidados necessários dentro da unidade. Na entrada da pediatria, outro enfermeiro fiscaliza a lavagem das mãos e os objetos levados ao quarto do paciente. Para o acompanhante, toda essa orientação é muito mais detalhada, pois ele vai ficar o tempo todo com a criança.

Outro descuido comum nos hospitais é quando visitantes estão autorizados a levar comida para o paciente. Segundo as estudantes, é preciso cuidado absoluto para não deixar migalhas caírem na cama da criança ou mesmo no chão do quarto.

Restos de comida atraem insetos, como baratas e formigas, que podem andar de um quarto a outro, carregando germes e causando contaminações cruzadas (de um paciente para outro).

Banho

Mesmo hospitalizada, a criança deve tomar banho diariamente, pois o banho é indispensável à saúde. Ele proporciona bem-estar, estimula a circulação sangüínea e ajuda a eliminar germes da pele. De acordo com o manual, porém, antes de levar o paciente para o chuveiro, os pais precisam conversar com a equipe de enfermagem.

“Pergunte sobre os cuidados com certas áreas do corpo em que a criança esteja recebendo tratamentos; lave as mãos, prenda os cabelos; verifique a ordem e as condições de higiene do local e de todo o material utilizado; verifique a temperatura da água; evite exposição da criança ao frio e corrente de ar”, sugere o manual.

Se o banho será dado numa banheira (bebês, principalmente), é preciso lavá-la e desinfetá-la primeiro. A cabeça da criança deve ficar apoiada no antebraço do cuidador, sem esquecer de virar a criança para lavar a parte posterior do corpo.

Caso o banho seja no chuveiro, o adulto deve observar se o piso não é escorregadio e, nesse caso, orientar a criança. Ele também deve ajudar o paciente a preparar o banho, providenciando seus objetos de uso pessoal (toalha, sabonete, xampu, roupas) e supervisionar todo o processo, principalmente em relação à limpeza de determinadas áreas do corpo, conforme orientação médica.

“A gente também orienta que os pais levem tudo o que for necessário para o banheiro, que é para não ter que deixar a criança sozinha e para evitar que ela tome uma corrente de ar frio, por exemplo”, completa a enfermeira Débora Corrêa.

Além do banho, os pais devem cuidar dos dentes do paciente, observando a escovação pela manhã, após as refeições e antes de dormir. A escova deve ser levada de casa, pois é um objeto de uso pessoal e não será oferecida pelo hospital, ao contrário das roupas.

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