Bairros

Trabalho de conservação é paliativo, diz sindicalista

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

O trabalho de manutenção das estradas rurais de Bauru não está sendo suficiente para deixá-las em condições de suportar os longos períodos de chuva que geralmente ocorrem no verão.

A informação é dos próprios funcionários da Prefeitura Municipal, que dizem que o serviço executado deixa margens para o desgaste da via. “Tinha que fazer caixa de retenção dos dois lados da pista para evitar que a água escorra pelo leito”, diz um funcionário que preferiu não se identificar.

Essas caixas de retenção são recursos usados para tentar amenizar o problema causado pela chuva nas estradas rurais. Elas funcionam como “piscinões”, acumulando a água em bolsões na lateral da pista, evitando que a lama se acumule no leito da estrada.

A reportagem do JC nos Bairros esteve em quatro estradas rurais da cidade e, em pelo menos três, encontrou poças de água acumulada na via. “Os bolsões não dão conta de acumular a água. Quando eles enchem, escorre para a via”, salienta esse funcionário.

Segundo o secretário municipal de Agricultura e Abastecimento, Cynise Pereira Leite, as caixas de retenção são feitas para se evitar erosões na pista. “A água depositada ali não provoca erosão nenhuma no terreno contíguo à estrada. Passada a chuva, ela se infiltra. Em alguns casos, até ajuda nas propriedades confrontantes, pois serve de bebedouro para os animais”, salienta.

O aposentado José Cosmo, que costuma usar estradas rurais com certa freqüência, diz que o problema é que, quando chove muito, as caixas de retenção não têm para onde escoar e inundam a estrada. “Não tem saída para essa água, vira uma bacia. Se fizessem um trilho para a água sair nos pastos, ela poderia se infiltrar mais facilmente na terra”, argumenta.

O presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, salienta que as medidas adotadas pela prefeitura são paliativas. “Não há nada estruturado. Só resolve o problema na hora, mas depois, com a próxima chuva, começa tudo outra vez”, destaca.

Ele lembra que o sindicato orienta os produtores rurais para que eles mesmos façam o conserto das vias danificadas, quando for necessário. “Eles passam a lâmina, fazem um mutirão para consertar a estrada, mas são medidas que não vão resolver o problema de forma completa”, alerta Guimarães.

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