O desempregado de Bauru é do sexo masculino, tem entre 18 e 35 anos, é solteiro, completou o ensino médio, foi demitido do emprego anterior e está sem trabalho formal há menos de três meses. Esse perfil foi obtido a partir dos dados de 2002 do Centro de Encaminhamento Pesquisa ao Trabalho (Cepet), órgão ligado à Secretaria Municipal de Bem-Estar Social (Sebes).
“A maioria dos que vêm até aqui está dentro desse perfilâ€, diz a coordenadora do Cepet, Telma Ribeiro de Carvalho. Segundo ela, o centro procura detalhar ao máximo as características dos desempregados para facilitar a colocação dessas pessoas no mercado de trabalho, que dobrou neste ano.
Em 2001, dos 9.354 desempregados cadastrados, 357 (3,8%) tiveram sua contratação efetivada. No ano passado, de 10.912 cadastros, 631 (5,7%) foram efetivados em alguma empresa. “As empresas procuram bastante o programa. Elas estão contratando bastante estagiáriosâ€, observa Telma, lembrando que o estágio diminui custo para os empresários.
No Centro de Orientação para o Trabalho (COT), ligada à Caritas Diocesana de Bauru, a coordenadora Elcia Rodrigues diz que o perfil do desempregado que procura o Cepet é bastante semelhante ao de sua entidade. Segundo ela, o fator que mais chama aatenção é o crescente grau de escolaridade das pessoas que procuram o COT.
“Temos recebido uma quantidade muito grande de pessoas com superior completo, coisa que antes não aconteciaâ€, diz Elcia. E observa: “Há menos vagas e as empresas têm exigido muito desse perfilâ€.
Maior formação é o que procura Levi de Moraes Cardoso, 23 anos, solteiro, que há cerca de um mês perdeu seu emprego de operador de caixa num supermercado. Ele tem o segundo grau completo, e quer continuar trabalhando para custear a faculdade de design, em que cursa o segundo ano.
Levi, que se encaixa no perfil médio do desempregado bauruense, conta que se cadastrou no Cepet há duas semanas em busca de recolocação no mercado de trabalho - de preferência, com um salário maior que os cerca de R$ 300,00 que ganhava no caixa. “Fiz um teste, mas ainda não me chamaram. Mas não é da minha áreaâ€, diz.
Dados não-oficiais
Não existe um número oficial do nível de desemprego em Bauru - costuma-se atribuir o mesmo índice registrado na Grande São Paulo: 19,2%, segundo o Dieese. O número de pessoas cadastradas no Cepet, entretanto, pode indicar que o nível de emprego em Bauru diminuiu no ano passado.
No ano passado, o órgão cadastrou 16% a mais de desempregados: 10.912 contra 9.354 em 2001. Uma explicação para isso, no entanto, pode ser a maior divulgação das ações do Cepet. “Não são só desempregados. Há pessoas que estão trabalhando e procurando outro empregoâ€, ressalta a coordenadora Telma, para quem calcular o desemprego em Bauru é “complicadoâ€.
No COT, a coordenadora Elcia afirma que de 1.416 atendimentos formais realizados em 2002, 596 foram encaminhados para avaliação em alguma empresa e, destes, apenas 302 candidatos foram recolocados no mercado. “Há até dois ou três anos, nosso encaminhamento era sempre maior que 50%, e nossa colocação também era nesse nívelâ€, declara.
Elcia avalia que o ano passado foi “difícilâ€, principalmente pelas exigências mais rígidas das empresas. “Temos muitos profissionais de bom nível à espera de uma colocaçãoâ€, diz.
O economista Reinaldo César Cafeo, delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), pondera que pode haver uma certa “distorção†nas estatísticas dos centros, já que o profissional muito qualificado procura agências particulares de empregos.
Cafeo também observa que, além da formação superior, as empresas instaladas em Bauru e região, de menor porte, prezam o fator “experiência†antes de efetivar uma contratação. “As empresas de pequeno e médio porte estão de olho também na experiênciaâ€, diz. E completa: “Antigamente, ter nível universitário era um ‘plus’. Hoje, é uma pré-condiçãoâ€.
Captação de vagas
Tanto o Centro de Encaminhamento Pesquisa ao Trabalho (Cepet) quanto o Centro de Orientação para o Trabalho (COT) fazem um trabalho de captação de vagas a cada mês junto a empresas cadastradas. No Cepet, o número de vagas disponíveis em 2002 e 2001 se manteve estável: em torno de 580. No COT, foram captadas cerca de 330 vagas no ano passado.
Os centros facilitam o trabalho de contratação das empresas, fazendo com muitas deixassem de fazer pré-seleção. É o caso da firma de Ronaldo Rodrigues Gato, que trabalha na área de construção civil. Atualmente, quatro funcionários são provenientes do cadastro do Cepet.
“A gente passa o perfil e eles fazem a pré-seleção, já vem peneirado para a genteâ€, diz Gato. Segundo ele, geralmente os candidatos são aproveitados pela empresa - que, com isso, economiza o tempo que os sócios perderiam com entrevistas até encontrar o perfil ideal.