Moradores das imediações do aeroporto de Bauru estão assustados com o risco de acidentes. Eles alegam que os aviões têm arremetido com freqüência e, para eles, isso é sinal de que algo não vai bem.
A arremetida é um procedimento de vôo que consiste em cancelar a manobra de pouso e retomar altitude. Isso ocorre quando o avião já está baixo - próximo ou sobre a cabeceira da pista. É justamente isso que assusta os leigos.
A doméstica Viviane Aparecida dos Santos afirma que a casa chega a tremer quando os aviões passam sobre o imóvel. “Parece que vai bater no telhado. A gente fica com medo, né, porque tem tanto avião caindo por aíâ€, ressalta.
O supervisor industrial Armando Soares Júnior conta que já teve metade do telhado de sua casa arrancado, em 1990, quando um avião caiu próximo ao aeroporto, matando uma mulher e uma criança que passavam de carro pelo local. Ele mora nesta residência há 22 anos e diz que tem visto muitas “coisas estranhasâ€.
“A gente percebe que eles estão muito fora de rota. O avião que deveria vir em linha reta, às vezes, vem pela lateral. E eles têm passado muito baixo, chega a disparar o alarme dos carros estacionados por pertoâ€, comenta.
Indagado se tem medo de outro acidente, ele alega que uma hora pode acontecer. “Se naquela época, que parecia tudo normal, caiu, imagine agora que a gente tem visto tantas ocorrências estranhasâ€, afirma.
Uma dessas ocorrências foi há cerca de 20 dias. O estudante de engenharia elétrica Marcelo Ciamponi de Castro conta que acordou apavorado quando ouviu o barulho do avião e viu as janelas de seu apartamento vibrarem pela potência das turbinas. Era aproximadamente meia-noite e meia.
“Moro aqui há três anos. Estou acostumado a observar os aviões, onde eles pousam, que trajeto percorrem quando decolam. Aquele dia acordei pulando, porque o avião arremeteu para este lado e passou muito baixo entre os prédios. Eu moro no nono andar, o prédio tem 12 andares e eu via as janelas do aviãoâ€, lembra.
Na opinião dele, a rota dos aviões deveria ser reavaliada, de modo que as aeronaves pudessem decolar, pousar e arremeter para o lado da avenida Nações Unidas, onde não há prédios tão próximos. “Do lado de cá tem vários edifícios. Ou, se eles têm que vir para esse lado, pelo menos que dessem a volta nos prédios. Mas eles passam no meio de um conjunto de edifícios e aquele dia estava muito baixoâ€, reforça.
Pilotos do Aeroclube de Bauru afirmam que não há registros recentes de manobras irregulares em Bauru. Eles salientam que todos os procedimentos de vôo são muito bem planejados e estudados.
Na opinião deles, o problema é que a cidade cresceu muito e invadiu um espaço que há 60 anos, quando a pista foi construída, era exclusivamente das aeronaves. Com isso, aviões que pousam e decolam de Bauru passam realmente muito perto de casas e edifícios, mas tudo é devidamente estudado e planejado visando a segurança de moradores, tripulantes e passageiros.