Geral

Procedimento é manobra de segurança, dizem pilotos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

De acordo com os pilotos Ismael Ramos Mastrangeli e Diogo Temponi, a arremetida é um procedimento de vôo totalmente previsível e que visa exclusivamente a segurança dos passageiros. Eles explicam que o piloto arremete todas as vezes que alguma condição - por menor que seja - está imprópria para o pouso.

Segundo Temponi, o Ministério da Aeronáutica determina um trajeto obrigatório e específico para pouso cada aeródromo existente no País. Esse trajeto está especificado na Carta de Aproximação por Instrumentos. Antes de decolar para qualquer destino, o piloto tem que estudar a carta referente ao local onde deverá pousar.

Esta carta determina uma rota que o piloto tem que seguir para aproximar-se e descer na pista. É como se houvesse uma rodovia no céu e o avião tem que voar dentro dela. Esse trajeto é oval e descendente. “A carta marca qual deve ser a altitude, a posição e a velocidade da aeronave em cada ponto do percurso. E estabelece um ponto (na reta final de aproximação) onde o piloto tem que visualizar a pista”, explica Timponi.

Instrutor de vôo do aeroclube, Mastrangeli salienta que qualquer item fora das especificações desta carta é motivo para a arremetida. Então, se a aeronave estiver um pouco mais alta do que manda a carta, o piloto deve arremeter. Se estiver um pouco mais veloz, deve arremeter. Se não houver visualização adequada da pista no ponto determinado, deve arremeter e assim por diante.

Outra situação em que recomenda-se a arremetida são as rajadas repentinas de vento, que podem desestabilizar a aeronave. Timponi explica que cada aeronave suporta uma pressão determinada. Se o piloto percebe uma rajada lateral mais forte no momento do pouso, por exemplo, recomenda-se que ele arremeta.

Questionados sobre o medo dos moradores, os pilotos alegam que não há registro de procedimentos inadequados recentemente em Bauru. “O que acontece é que, no verão, as nuvens estão mais baixas e é comum haver tempestades. Isso atrapalha a visibilidade e se o piloto não vê a pista adequadamente, mesmo operando por instrumentos, ele arremete. É um procedimento padrão”, observa Timponi.

“Além disso, Bauru tem uma escola de vôo e arremeter faz parte do currículo dos alunos. Eles estão aprendendo a ser pilotos e precisam treinar este procedimento, como treinam a decolagem e o pouso. Se observarmos os registros do controle de vôo, veremos que pelo menos 50% das arremetidas são feitas por alunos em treinamento”, acrescenta Mastrangeli.

Questionado sobre os fatos que assustaram moradores, os pilotos alegam que desconhecem qualquer registro recente de manobra irregular. Eles citam o caso de uma aeronave que, há cerca de um mês, fez um pouso de emergência porque teve problemas no trem de pouso e afirmam que esse tipo de problema sempre é notificado, divulgado e explicado.

Os pilotos reforçam que o fato de um piloto arremeter uma aeronave significa que ele percebeu uma situação que poderia prejudicar o pouso. Então, ele desiste da manobra para garantir a sua segurança e a de seus passageiros. â€œÉ como um motorista que vai fazer uma baliza e percebe que entrou errado na vaga. Ele sai e recomeça.”, encerra Mastrangeli.

Comentários

Comentários