O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família (Sintraemfa), de São Paulo, Antonio Gilberto da Silva, em entrevista à Agência Folha, fez graves acusações contra a unidade local da Fundação Estadual do Bem-Estar do menor (Febem). Ele afirma que a presença de drogas na unidade e a falta de atitude por parte da diretoria preocupam os funcionários.
Após citar o espancamento sofrido por um interno, objeto de matéria recente do Jornal da Cidade, o sindicalista afirma ter feito várias denúncias contra as supostas irregularidades em Bauru. “E ninguém faz nadaâ€, critica ele.
Silva ressalta que o maior problema da Febem bauruense é a grande quantidade de drogas em circulação no local. “Elas tomaram conta daquela unidadeâ€, garante.
O espancamento do adolescente na unidade de Bauru ocorreu no último dia 30. O rapaz foi agredido por um grupo de onze internos e precisou ser internado no Pronto-Socorro Central. Por ocasião desse episódio, o assessor de comunicação da Febem, Joaquim Maria Botelho, disse que a agressão teria sido motivada por vingança, devido a uma antiga desavença que existiria entre o irmão da vítima e um dos menores da unidade.
As denúncias do presidente do Sintraemfa de São Paulo foram feitas no último sábado, quando o agente penitenciário Salmo Bueno de Godoy, 30 anos, foi encontrado pela sua família no Instituto Médico Legal (IML) da zona leste de São Paulo. Segundo o Sintraemfa, Godoy -que estava desaparecido desde quinta-feira- foi encontrado com quatro tiros no rosto. Godoy era funcionário da unidade da Febem de Franco da Rocha, localizada na região metropolitana de São Paulo. Para o presidente do sindicato, o agente funcionário foi vítima de vingança. â€œÉ muito comum ocorrer isso. O menor quando sai da Febem acaba querendo se vingar dos funcionários’’, disse Silva.
Ainda conforme Silva, episódios como esses revelam as condições precárias tanto dos trabalhadores quanto dos internos.
A reportagem entrou em contato Edinéa Sita Cucci, atual diretora da Febem/Bauru, para ouvi-la sobre o assunto. Entretanto, ela limitou-se a dizer que qualquer informação sobre a unidade só poderia ser passada através da assessoria de imprensa da instituição, estabelecida na capital paulista. O JC tentou falar com a assessoria, mas isso não foi possível ontem.