O desaquecimento da economia brasileira no segundo semestre de 2002 não se traduziu em números no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru. De acordo com o órgão, o número de consultas ao sistema se manteve estável no ano passado em relação a 2001: elevação de 0,25%. Foram 1,087 milhão de nomes pesquisados em 2002, contra 1,061 milhão no ano anterior.
Quanto ao número de inadimplentes registrados - ou seja, consumidores que tiveram seus nomes negativados junto ao órgão -, houve um aumento menos tímido em 2002: 4% em comparação ao ano anterior. No ano passado, foram negativados 112,7 mil consumidores, ante 108,2 mil em 2001.
“Estamos achando o número até positivo, considerando que o segundo semestre foi bem complicado por conta do aumento do dólar e das eleiçõesâ€, avalia o diretor do SPC local, Sérgio Evandro Motta. “A expectativa nossa era de que 2002 fosse bem pior do que 2001â€, acrescenta.
Segundo Motta, a estabilidade nos números indica que alguns setores da economia cresceram para que 2002 fechasse com média semelhante a do ano anterior. Na opinião dele, a área de eletroeletrônicos pode ter contribuído para a retomada de fôlego no comércio no final do ano. “O mercado lançou produtos novos, como o DVD, que foram se popularizandoâ€, aponta.
Para o economista Said Yusuf Abu Lawi, a estabilidade pode ser atribuída a uma maior precaução por parte dos lojistas, refletida no número de consultas ao SPC. “Tanto o comércio quanto o consumidor ficaram mais cautelososâ€, afirma.
Cartão de crédito
Apesar do pequeno aumento no número de inadimplentes em 2002 - um ano marcado por seguidas quedas nesse quesito -, Motta declara que o comércio está tomando ainda mais precauções contra a inadimplência.
Um indício seria o incentivo às compras via cartão de crédito. “O cartão de crédito é interessante, mas seria mais não fosse o custo que temâ€, diz. Segundo ele, a taxa de administração está ao redor de 4%, dependendo do ramo, além do fato de que o empresário tem de esperar 30 dias para receber o dinheiro, sendo que o valor é de venda à vista. “Na pior das hipóteses, aí são mais 2%â€, completa o diretor do SPC.
Segundo Motta, o uso do cartão é estimulado de preferência quando o consumidor reside fora da cidae. Além disso, diz ele, o cartão de crédito está tendo penetração cada vez maior entre as classes C e D.
Para o economista Lawi, ainda que os custos do cartão sejam altos, os lojistas têm a garantia de que receberão o repasse das operadoras. “O cartão de crédito é o que possui o menor índice de inadimplência: é quase nulo. Para o comerciante é uma segurançaâ€, afirma.
Na opinião do economista, é difícil mensurar o quanto é compensador para o comércio estimular o uso do cartão em vista das taxas cobradas. “No final das contas, esses custos (com o cartão de crédito) acabam sendo repassados para os preçosâ€, diz Lawi.
Para ele, a facilidade maior é para o consumidor, que não precisa carregar dinheiro na carteira ou emitir cheques. A atenção, no entanto, deve ser voltada para os juros cobrados pelas operadoras no caso de atraso: entre 10% e 12% ao mês, em média.