Tribuna do Leitor

A orquídea e a corda


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Foi com tristeza que vi a maior das árvores da minha calçada começar a perder as folhas, definhar e morrer misteriosamente. Companheira de quase 20 anos, a sua sombra fará muita falta. Mas havia um outro detalhe: nessa árvore estavam instalados vários pés de orquídea, presente da minha sogra e que, durante a primavera, provocavam a admiração dos transeuntes.

Comprei, então, cinco vasos de xaxim e neles transplantei as orquídeas. Mas na hora de pendurá-los nas palmeiras do jardim, deparei-me com um problema sério: os pratos eram maiores que os vasos e deixavam um espaço ideal para o mosquito da dengue procriar. A areia grossa, solução tradicional para o problema, não era o ideal: não resistiria à chuva e ao jato da água, na hora de regar a planta. E estando lá no alto das palmeiras, seria muito trabalhoso ficar repondo a areia.

Que fazer? Aí, o destino atravessou uma corda no meu caminho. E o problema estava solucionado. Mais que isso: eu acabara de criar uma nova maneira de combater a dengue. Mexendo em uma prateleira, na edícula, encontrei um pedaço de corda velha. Aí surgiu a idéia: peguei a corda e enrolei no vaso, eliminando o espaço vazio. Além de tudo, dá um acabamento artístico.

Em tempo: se a corda for fina, dê várias voltas, até preencher totalmente o espaço entre o vaso e o prato. Como julguei que ela poderia ser útil, procurei os encarregados da dengue, no Centro de Saúde, e expus a minha idéia. Que foi aprovada na hora, com louvor! (Ismar Pereira - RG 4.545.764)

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