Economia & Negócios

CEF deixa de negociar com mutuários

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

A Caixa Econômica Federal (CEF) está deixando de negociar com inadimplentes do sistema habitacional. O banco não faz mais acordos e considera a retomada do imóvel já na terceira parcela atrasada. Atualmente, a inadimplência dos mutuários nos 91 municípios abrangidos pelo Escritório de Negócios (EN) da CEF em Bauru está em 9,9%, quatro pontos percentuais abaixo da média nacional da instituição.

Em Bauru, a carteira de habitação compreende cerca de 20 mil imóveis. Destes, mais de 1,9 mil estão com parcelas atrasadas. No Brasil, o número de imóveis financiados está em torno de 1,3 milhão. A Caixa não fornece as cifras que teria para receber de seus inadimplentes.

O JC vem recebendo diversas reclamações por parte dos mutuários, que alegam estar tendo dificuldades para quitar parcelas atrasadas. A principal reclamação é de que se há, por exemplo, três parcelas atrasadas do financiamento, é impossível negociar o débito e pagar apenas uma. Segundo a assessoria de imprensa da CEF em Brasília, a regra é clara: ou o mutuário paga todos os meses atrasados ou não paga nenhum.

As normas mais rígidas para os mutuários fazem parte do processo de reestruturação patrimonial da Caixa, iniciado em junho de 2001, com o objetivo expresso de não mais criar “esqueletos”. “As regras vão se aperfeiçoando durante o tempo”, diz o superintendente da Caixa em Bauru, Geraldo Luiz Machado de Oliveira.

Segundo ele, a falta de pagamento gera desequilíbrio financeiro na Caixa, que deixa de promover outros financiamentos e passa a restringir crédito, pois o dinheiro utilizado para o sistema habitacional é proveniente, principalmente, de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e dos depositantes da poupança. “O objetivo da Caixa é emprestar recursos, receber esses recursos e manter o sistema equilibrado”, afirma Oliveira.

Ainda de acordo com o superintendente, a acusação de mutuários de que o interesse da CEF seria forçar o não-pagamento para retomar o imóvel é improcedente. Segundo Oliveira, a retomada é a “última hipótese”. “Não vemos vantagem nenhuma em retomar imóvel. A gente retoma quando precisa e revende, justamente para manter esse sistema equilibrado”, declara.

De acordo com a assessoria de imprensa da Caixa, a retomada de imóveis gera “prejuízos” para o banco. Isso porque os imóveis geralmente precisam de reparos e o custo de conservação até que ele seja novamente vendido é alto.

Na semana passada, o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, havia declarado, a respeito do setor habitacional, que “a participação da Caixa na área social será valorizada e potencializada na medida em que o banco estiver bem.”

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