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EUA: em que momento se fracassou?


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A América Latina é, em essência, o que seus líderes quiseram que fosse, o que não conseguiram, e a conseqüência dos diversos obstáculos impostos pelos que consideraram que devia optar por um caminho diferente. O resultado é uma imensa frustração, de uns e outros. Enquanto o pensamento da identidade nacional, da coesão estatal e social, da concretização política de cada uma das nações latino-americanas é um panorama de fracasso, a observação do fenômeno dos Estados Unidos mostra um efeito contrário. Ao Sul impera o desastre, no Norte predomina o êxito.

Paradoxalmente, esta potência converteu-se em alvo do temor e das críticas da maior parte da humanidade, com o resultado de que, um ano e meio depois do 11 de setembro, o clamor sincero de “todos somos americanos”, cunhado pelo diretor do Le Monde, foi trocado por “(quase) todos somos - pelo menos - anti-Bush e Rumsfeld”. Os latino-americanos estão na vanguarda deste fenômeno. O que se passou? Ou, em que momento os Estados Unidos fracassaram? O intrigante deste fato é que não é simplesmente detectável nos meses posteriores às primeiras reações ao 11 de setembro.

É muito mais complicado para ser atribuído ao desdém demonstrado pela Casa Branca e pelo Pentágono à Otan, que ativou seu artigo 5, ou as megalomaníacas declarações presidenciais concretizadas no documento da Estratégia de Segurança Nacional, ou às insultantes referências de Rumsfeld contra a “velha” Europa.

Em que momento, por fim, isto se arruinou? Quando, na realidade, se começou a atentar contra as Torres Gêmeas, ou alguém se apressou a comprar fita adesiva para se proteger de gás mortífero? Na realidade, tudo remonta ao momento em que os Estados Unidos, vitoriosos na Segunda Guerra Mundial, após a vitória contra o fascismo e o nazismo na Europa e o militarismo japonês, enfrentam o novo inimigo que, desde Moscou, encanta como uma sereia os marginalizados do planeta. Washington capta certeiramente que a oferta de um paraíso totalitário na terra é mais concreto do que a vaga “busca da felicidade” da Declaração de Independência.

O marxismo compete com a oferta norte-americana aberta a todo o planeta, exposta na Estátua da Liberdade: “dê-me as massas temerosas, suspirando por serem livres”. Assim, Washington resolve eliminá-lo, o que é legítimo. O problema é que executa essa missão a qualquer preço. Toma-se ao pé da letra a promessa de Kennedy de “enfrentar qualquer um, pagar qualquer preço, utilizar qualquer meio” para defender a liberdade oprimida ou ameaçada.

O Vietnã e o assassinato de Kennedy foram a chave, a perda da inocência. A caça às bruxas de MacCarthy precedeu a mentira e a corrupção do regime de Nixon. Seu vergonhoso afastamento foi uma cacetada na consciência nacional, que não voltou a ser a mesma, nem mesmo na eleição de Carter, humilhado em Teerã. As esperanças depositadas em Clinton acabaram evaporando-se. O escândalo da Enron foi um aviso. Faltava apenas o covarde e criminoso ataque do 11 de setembro para que a consciência nacional ficasse abatida. Como a Espanha em 1898, a nação ficou sem pulso. Agora, está presa pelo paradoxo da guerra contra o Iraque, como substitutivo da frustração por não poder capturar Bin Laden. Mas, o país fracassou antes, muito antes. (O autor, Joaquín Roy é catedrático Jean Monnet e diretor do Centro da União Européia da Universidade de Miami (jroy@miami.edu).

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