Política

Petistas apóiam ação contra radicais

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Uma parte das lideranças do PT de Bauru apóia a decisão da direção nacional do partido de advertir publicamente a senadora Heloísa Helena (PT-AL), integrante da corrente “Democracia Socialista” (moderada). A senadora alagoana foi contra a indicação do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, mas escapou do constrangimento de uma repreensão pública.

Mas o presidente da executiva nacional do PT, José Genoíno, decidiu endurecer com Heloísa depois que ela faltou à sessão do Senado que elegeu José Sarney (PMDB-AP) à presidência da Casa. O PT apoiou a indicação de Sarney para garantir apoio do PMDB ao governo.

“A aplicação da advertência pública foi mais do que correta”, avalia a presidente da executiva municipal do PT, Estela Almagro. A petista pertence a corrente “Articulação” (light), a mesma do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Genoíno. Para ela, Genoíno demonstrou um jogo de cintura “excessivo” no episódio da indicação do presidente do BC.

“O ministro Palocci (Antônio Palocci, da Fazenda) foi muito feliz quando disse que enganam-se aqueles que pensaram que o PT fez um discurso no palaque e se comportaria de maneira diferente no governo”, comenta.

Estela reforça que no partido “a maioria” decide. “O acordo com o PMDB é extremamente importante para a governabilidade. Não é compreensível que uma liderança do partido faça esse tipo de chantagem. Isso é holofote. Tem que ser repreendida exemplarmente.”

A presidente da executiva municipal petista lembra que o regimento interno é claro em relação ao cumprimento das decisões das bancadas parlamentares. “Decidiu, está decidido. A punição deve ser aplicada. Se não for assim, vira casa da mãe Joana”, analisa.

Reincidência

O vereador José Carlos Batata (PT), também integrante da “Articulação”, divide a mesma opinião de Estela. Ele lembra que além de ter se posicionado contra a indicação de Meirelles aos BC e de não ter comparecido à eleição de Sarney para a presidência do Senado, Heloísa também criou problemas na coligação do PT com o PL em Alagoas.

“Ela já havia, lá atrás, tomado uma série de atitudes que contrariavam a direção nacional. A Heloísa tem publicamente desafiado a direção nacional. A repreensão pública chega num momento para fazer com que as coisas se assentem de uma vez”, diz.

O sindicalista Jesus Garcia, ligado informalmente ao grupo “Articulação”, avalia que os assuntos, depois de discutidos pela direção nacional e pela bancada parlamentar, geram um posicionamento que deve ser seguido pelos demais integrantes do partido.

“Essa é a prática democrática do PT. Para as pessoas que se posicionam ao contrário das decissões, aplica-se o estatuto. Caso contrário, pode virar bagunça”.

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Para Roque Ferreira, senadora alagoana agiu com a consciência

O sindicalista Roque Ferreira, integrante da corrente “O Trabalho”, avalia que a senadora Heloísa Helena (PT-AL) agiu com a consciência ao não referendar os nomes de Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central e de José Sarney (PMDB-AP) para o Senado. “Nós nos associamos a ela também nesse sentido.”

O petista explica que o estatuto do PT “salvaguarda” o direito ao filiado que ocupa mandato parlamentar declinar de apoiar uma decisão quando ela fere sua consciência, desde que vinculada a uma questão de princípios.

“Particularmente, considero que a cúpula dirigente do PT encontrará dificuldades. As atitudes do governo demonstram para onde o governo caminha”, avalia.

O sindicalista lembra que os milhões de brasileiros que votaram no partido estão aguardando mudanças estruturais no País.

“Para responder a essa demanda da população, será preciso dar passos. Isso não será possível mantendo a ortodoxia da política econômica ditada pelo governo do Fernando Henrique Cardoso, que é o que está enunciado até agora”, analisa.

Para o sindicalista, a repreensão anunciada é uma “atitude de força” que representa uma ameaça. “Os dirigentes do PT terão que avaliar essa prática. Eles não são proprietários da história do partido, e sim usuários. Centenas de militantes sem expressão pública ajudaram a construir essa visibilidade pública.”

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