Moradores do Jardim Tangarás, região atingida pela contaminação por chumbo, temem que o setor metalúrgico da Ajax volte a funcionar sem adequações necessárias e antes da recuperação ambiental da área contaminada.
“Eles deveriam recuperar a área contaminada. A nossa área ficou desvalorizada. Se eles voltarem a trabalhar sem fiscalização, vai complicar e desvalorizar mais aindaâ€, afirma Zaqueu Vieira da Silva.
Na opinião do morador, a população deve receber esclarecimentos sobre a volta das atividades do setor metalúrgico e sobre o processo de descontaminação dos bairros atingidos.
“Só seria bom pelo emprego das pessoas. Mas temos que ter uma garantia de que eles não voltam a trabalhar com chumbo. Ele têm que cumprir o que prometeram e recuperar a área. Se eles apenas abrirem e voltarem a trabalhar, vai provocar revoltaâ€, enfatiza Zaqueu.
Olívio Jacinto, morador do Tangarás, frisa que o plástico também pode causar poluição ambiental. “A gente fica sim preocupado se o plástico vai trazer problemas e com a possibilidade de voltar a funcionar com chumboâ€, diz.
A professora Vera Lúcia Andrade de Oliveira, outra moradora do bairro, concorda que a mudança de material, de chumbo para plástico, não alivia a preocupação. “O bairro já está contaminado e esse serviço que fizeram, de raspagem de ruas e quintais e aspiração de pó, é apenas paliativo. A nossa preocupação continuaâ€, afirma.
Para ela, apesar do serviço de limpeza realizado, há muita terra contaminada. “Rasparam uma camada fina de terra das ruas, mas têm muitos terrenos baldios que não foram mexidos. A única solução seria a pavimentaçãoâ€, diz.
“Moro em uma chácara que tem um jardim de 600 metros quadrados gramado e um quintal também com 600 metros quadrados com brita. Mas mesmo assim a gente fica preocupada porque a terra não foi retiradaâ€, completa.
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Para Vidágua, plástico também é nocivo
Embora seja menos impactante que o chumbo, o processo de recuperação industrial de plástico também é nocivo ao meio ambiente. A informação é do secretário executivo do Instituto Ambiental Vidágua, Ivan Ferrazoli de Marche.
“Não deixa de ser impactante porque é um derivado do petróleoâ€, diz Ivan. Ele afirma que caso a unidade de recuperação de plástico da Fábrica de Baterias Ajax volte a operar, ela também deverá atender a exigências para evitar nova contaminação da região e da população que vive nos arredores da empresa.
“Tem que haver manutenção e equipamento próprio. É necessário adequar as máquinasâ€, explica o ambientalista. Caso a unidade seja reaberta, na opinião de Ivan, o ideal é que ela retome as atividades já respeitando as normas ambientais. “Não vai deixar de ser degradadorâ€, enfatiza o secretário executivo do Vidágua.