Rural

Reunião debate morte súbita de citros

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e representantes de instituições de pesquisa e do setor citrícola reúnem-se hoje para discutir ações de combate à pior ameaça à citricultura desde 1940: a chamada morte súbita dos citros (MSC). A doença foi identificada pela primeira vez em 2001 e recebeu esse nome pela rapidez com que mata as plantas.

A doença, detectada primeiramente em pomares do Sul de Minas Gerais e que hoje atinge o Norte de São Paulo, já destruiu 1 milhão de pés de laranja, causando um prejuízo de mais de US$ 20 milhões e colocando em risco o maior parque citrícola do mundo. No Estado, a morte súbita já foi verificada nos municípios de Colômbia, Barretos, Guaraci, Olímpia, Altair e Nova Granada.

De acordo com o engenheiro agrônomo Nélson Gimenes Fernandes, secretário-executivo do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a “força-tarefa” de combate à MSC precisa vencer várias etapas. “A primeira ação de defesa é evitar que saiam mudas da região contaminada para a região livre da doença”, aponta.

De acordo com Gimenes, não é possível saber se há outras regiões do Estado contaminadas com a morte súbita. “Precisamos fazer um levantamento geral em todo o parque citrícola, detalhado, para saber se a doença está caminhando em uma única frente ou por múltiplos focos”, diz.

O agrônomo acredita que um medida importante para o combate à doença que deve ser definido na reunião é a simplificação de importação de sementes. â€œÉ preciso fazer subenxertia em massa, e está difícil conseguir sementes para isso”, declara Gimenes.

Segundo ele, nem mesmo a origem da MSC está identificada. Acredita-se que ela seja causada por um vírus, provavelmente um mutante do que causou a chamada tristeza dos citros, doença que na década de 1940 matou 9 milhões das 11 milhões de árvores do parque citrícola brasileiro. â€œÉ necessária a realização de projetos de pesquisa para saber exatamente o que é essa doença, como ela é disseminada”, afirma.

Sintomas

De acordo com Gimenes, o produtor deve ficar atento para os sintomas da doença - se forem tomadas medidas rápidas ainda é possível salvar a produção. Do contrário, todo o pomar, seja qual for o tamanho, é destruído pela morte súbita. “Se o produtor fizer a subenxertia, ele pode salvar o talhão dependendo do porta-enxerto”, diz.

O agrônomo ressalta que, “em hipótese alguma”, o produtor deve comprar mudas de locais com suspeita da doença, mais prejudicial que o temido cancro cítrico. “Ela (a MSC) é pior que o cancro cítrico no sentido de que mata a planta, e mata muito rápido”, observa.

Segundo Gimenes, a identificação da morte súbita no pomar não é muito difícil. Os sintomas são semelhantes ao do declínio dos citros: há uma ligeira perda de brilho das folhas, queda de folhas e apodrecimento das raízes. A diferença, de acordo com o agrônomo, é que ao descascar o tronco na região do cavalo (porta-enxerto), o miolo estará com uma coloração amarelo-viva se a planta estiver contaminada com a morte súbita.

Atualmente, o Brasil é o maior exportador de suco de laranja do mundo e tem o maior parque citrícola, concentrado em São Paulo e Minas Gerais. De acordo com estudos da Universidade de São Paulo (USP), a citricultura emprega diretamente 400 mil pessoas nesses dois Estados e compõe uma cadeia produtiva que movimenta US$ 5 bilhões por ano.

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