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FMI pode esperar?


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Petróleo e trigo constituem os ítens mais caros das nossas importações internacionais, porquanto as fazemos mediante valorizadas moedas estrangeiras e as vendemos em sempre depreciados reais, por preço inferior ao externo, pelo que paga nosso Governo a diferença resultante. Logicamente, quando o real perde valor em confronto com o dólar, marco, libra, franco etc, nossos exportadores auferem mais com essas moedas, mas não recebem a respectiva diferença e, sim, apenas os reais correspondentes, de acordo com a taxa de câmbio.

São enormes os nossos encargos financeiros com aqueles combustíveis e alimentos, oriúndos do velho e decantado mundo. E quem os paga através do Fundo Monetário Internacional, ao qual se vinculam os exportadores em geral, a ele se atrelando com um vigor do qual não conseguem abrir mão de maneira nenhuma? Somos nós, seus inveterados consumidores, razão pela qual temos de sempre ter armazenado em nossos prezados cofres todo o dinheiro necessário para custeá-lo, ainda que para tanto tenhamos de moderar as desvalorizações de nossa moeda, reduzir os subsídios à gasolina, trigo e energia elétrica, conter os gastos públicos e, bem assim, limitar os níveis de expansão dos custeios.

Não podemos deixar de adotar tais providências, eis que do contrário o renomado Fundo pode, como se diz na gíria, conduzir-nos ao suplício da forca, porquanto, não há muito, determinou que nossos meios de pagamento não poderão expandir mais que 60 por cento, ou seja, o Governo não poderá emitir reais além desse limte porque crescimento elevado de dinheiro constitui remédio absoluto para o expansionismo da inflação, afetando a vida econômica dos nossos investidores e, por consequência, do próprio País que nos abriga. Logicamente, mais caro pelos produtos em geral pagariam os milhões de pobres, que vivem hoje nos limites finais da sobrevivência, com o seu querido real caindo diariamente alguns pontos e o dinheiro estrangeiro levantando quanto deseja, significando isso que todos os setores da sociedade brasileira vão acabar pagando pelos que deixaram junto ao FMI uma dívida astronômica, cujo carroussel não se sabe quando suspenderá sua corrida, nem quando há de parar sua elevação às alturas. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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