Polícia

Aposentado é morto por assaltantes

Thaís da Silveira e Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

O servidor aposentado Jorge Francisco Leal, 63 anos, foi esfaqueado e morto por dois ladrões que invadiram sua casa, no Parque Primavera, em Bauru anteontem à noite. A esposa e o cunhado do aposentado também foram feridos, mas passam bem.

Este é o segundo caso de latrocínio registrado em Bauru neste ano (leia mais ao lado). Os ladrões fugiram levando R$ 80,00 da aposentadoria do cunhado da vítima e algumas bijuterias.

Até o final da tarde de ontem, a polícia não tinha pistas dos assaltantes. O latrocínio revoltou parentes e vizinhos da família Leal, que trabalhava catando papel nas ruas para complementar renda.

Ontem à tarde, no enterro, Lázara Moisés Costa Leal, 64 anos, esposa do aposentado, ainda com um dos braços enfaixado devido ao golpe de faca que sofreu, contou que seu marido apenas tentou defender-se. “Ele colocou uma escada na frente do corpo e o ladrão, que estava com uma faca daquelas usadas em açougue, furou ele”, relata.

O sapateiro Pedro Francisco Leal, 62 anos, irmão do aposentado, não consegue entender o motivo do crime. “Meu irmão morava há mais de 50 anos nesta região e gostava de todo mundo, das crianças. Ele acolhia quem precisava, tomava café na casa de todo mundo”, diz.

Para Pedro, os ladrões, que estavam encapuzados, tinham informações sobre as vítimas. “Acho que pode ter até gente ligada à família envolvida”, diz. Os assaltantes, segundo Lázara, pediam dinheiro a todo momento.

Os vizinhos da família Leal, que socorreram as vítimas, também não entendem o motivo de tamanha violência. Simone Danila Cândida conta que foi acordada com os gritos de Lázara, que estava ferida e pedia ajuda para socorrer o marido e o irmão.

“Quando entramos na casa, ele (o aposentado) estava desmaiado”, conta. A vizinha diz que a família é querida no bairro. â€œÉ uma barbaridade. Mataram um, machucaram os outros dois e deixaram a casa revidada”, relata. A vizinha acha que os ladrões estavam atrás do dinheiro da aposentadoria dos moradores.

Leal foi esfaqueado do lado direito do peito. As três vítimas foram conduzidas ao Pronto-Socorro Municipal (PSM) Central, mas o aposentado chegou à unidade já sem vida.

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2º latrocínio

Após um ano sem registros de latrocínio (roubo seguido de morte) em Bauru, de acordo com a Polícia Civil, a cidade começa 2003 com dois registros do crime. No dia 3 de janeiro, Julia Marcelino de Oliveira, 80 anos, morreu no Hospital de Base (HB) após ser roubada e espancada, na Vila Falcão.

Os ladrões levaram bens e cerca de R$ 400,00 em dinheiro. No dia 13 do mesmo mês, o acusado de latrocínio, José Adelar dos Santos, 37 anos, foi preso pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Ele estava hospedando-se em um hotel no Centro de Bauru desde o dia 26 de dezembro, data em que a idosa foi espancada. Santos negou a autoria do crime, mas não ofereceu resistência à prisão.

Apesar dos dois casos, a polícia considera que os crimes de latrocínio em Bauru não estão fora de controle. “O latrocínio é um dos crimes mais graves que existe porque a pessoa rouba para matar. Estamos trabalhando bastante para esclarecer o caso, mas não está nada fora de controle”, diz o delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG/Garra).

O delegado afirma que as pessoas não devem reagir em caso de roubo. “O efeito surpresa está contra a vítima e ela não deve reagir. Depois, a polícia prende os autores e muitas vezes os objetos roubados são recuperados”, orienta o delegado.

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Cunhado tentou esconder dinheiro

Os dois ladrões encapuzados que invadiram a casa da família Leal queriam dinheiro. Apesar de ter levado dois golpes de faca - no braço e na barriga - superficiais ao ser surpreendido pelos assaltantes, José Moisés da Costa, 73 anos, cunhado do aposentado morto, chegou a esconder o dinheiro que possuía.

Jornal da Cidade - Como foi o assalto? José Moisés da Costa - Eu estava sentado na porta da casa quando fui surpreendido por dois homens com capuz.

JC - Eles anunciaram o assalto? Costa - Não, de cara eles já enfiaram a faca em mim. A sorte é que pegou de raspão. Quando ardeu, eu sai fora e aí eles entraram e disseram que queriam dinheiro e jóias e foram para cima do meu cunhado e da minha irmã.

JC - Os dois estavam armados? Costa - Um tinha uma faca grande. O outro colocava a mão debaixo da camisa, como se estivesse armado. Eles ameaçam matar a gente.

JC - Seu cunhado reagiu? Costa - Não, ele pegou uma escada para se defender. Mas não teve destreza e foi esfaqueado.

JC - E o dinheiro, onde estava? Costa - Quando eles pediram dinheiro, eu peguei os R$ 80,00 que tinha no bolso e pus debaixo do sofá. Eles reviraram tudo e acharam. Era dinheiro da aposentadoria do mês passado.

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