Tudo o que os partidários do continuísmo dos métodos do desenfreado neoliberalismo poderia fazer para impedir o desejo de mudança, para frear o sentido de esperança, foi feito: terrorismo econômico, terrorismo social, alta desenfreada dos preços, especulação, subida do dólar, aumentos seguidos da gasolina e dos demais derivados de petróleo, disseminação do medo, tudo.
Foram armas que tinham por objetivo infundir na opinião pública, especialmente no povo mais sofrido, o medo do PT; o medo de Lula; depois vieram os chavões: falta de experiência, horror ao debate, falta de preparo intelectual, falta de condições para ser estadista, falta de postura social e política, etc. Comparações foram feitas, benesses foram distribuídas, verbas foram concedidas...
Os adversários da esperança acreditavam firmemente em que o povo ficasse com medo, ficasse apavorado e comparasse. Era preciso continuar o neoliberalismo, era preciso continuar a privatização de tudo que fosse possível; era preciso continuar a culpar os aposentados (acoimados de vagabundos) pelo déficit do INSS e pelo descalabro econômico; era preciso continuar a política econômica do século XVII sob nova roupagem consubstanciada na “reencarnação†de Richelieu no famoso Malan. Enfim, era preciso continuar apertando cada vez mais os minguados salários; era necessário tornar ainda mais miseráveis os funcionários públicos, era necessário aviltar mais ainda os professores; era preciso matar os velhos nas filas dos hospitais. Era preciso continuar a devastação iniciada desde 1994.
Acontece que não se esperava que 53 milhões de pessoas não concordassem; acontece que não se contava com a capacidade de análise do povo; não se esperava reação; não se esperava de forma alguma que o tiro, tão bem preparado saísse pela culatra.
O resultado é que o sofrimento prolongado, depura; depura e fortalece o ânimo. Nestes anos de angústia, de frustrações, o povo aprendeu, não apenas a analisar, mas cansou-se de fazer malabarismos para poder sobreviver e dar um grito de esperança. Se não der certo, pelo menos restará o consolo de ter tentado mudar. Mas, não tenho dúvida alguma de que entramos numa nova fase de nossa história. Só Alagoas não acompanhou, o que recorda uma crônica escrita por Machado de Assis quando o Ceará aboliu a escravidão. Escreveu ele: “O Ceará é uma estrela, esperamos que o Brasil seja o sol.â€
Parafraseando o mestre, ouso dizer que o Brasil é o sol e espero que Alagoas seja uma estrela que venha a ser iluminada com a luz do sol. P.S. - Não sou petista. Continuo filiado ao PMDB. (José Benedicto Pinto - RG: 4.440.349)