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Médico de Marília recomenda exame de tireóide a gestantes


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Marília - O médico endocrinologista José Augusto Sgarbi, professor da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) e da Universidade de Marília (Unimar), está pesquisando o impacto da oferta de iodo na dieta de mulheres grávidas e em idade gestacional.

Os primeiros resultados indicam a importância das gestantes se submeterem a exames de sangue e urina para medir a presença de iodo e prevenir o nascimento de bebês com problemas de desenvolvimento cerebral.

A pesquisa será apresentada pelo especialista este ano no Congresso Latino-americano de Tireóide na cidade de Córdoba, na Argentina.

Segundo Sgarbi, a glândula tireóide precisa de iodo para produzir hormônios que são essenciais para o bom funcionamento de todo o organismo. No Brasil, a principal fonte de iodo é o sal refinado, que é enriquecido com o iodo.

Na gestação, há uma maior necessidade de iodo para suprir as necessidades maternas e do feto. Assim, a deficiência de iodo durante a gestação poderia causar um hipotireoidismo fetal, que afetaria o desenvolvimento cerebral do feto, com consequências leves ou graves, como o cretinismo, que é uma forma de retardo mental. “A deficiência de iodo é a principal causa evitável de retardo mental no mundo”, afirmou o médico.

Quando a tireóide produz hormônios em quantidade insuficiente, ocorre o chamado hipotireoidismo e as funções do corpo ficam mais lentas. De acordo com o médico, os principais sintomas da doença são frio, sensação de cansaço, desânimo, tristeza, falta de vontade, entre outros.

A mulher com hipotireoidismo, explica Sgarbi, tem mais dificuldade para engravidar, tem mais chances de sofrer um aborto e parto prematuro. Além disso, produzirá pouco líquido na placenta e pode haver um retardo no crescimento fetal intra-uterino. A mulher pode apresentar ainda quadro de depressão durante a gravidez ou após o parto.

No início da gestação, é a mãe quem fornece os hormônios da tireóide ao feto, que depende desses hormônios para o seu desenvolvimento. Quando a mãe tem falta de hormônios tireoidianos, ou seja, o hipotireoidismo, ela também transmitirá quantidade insuficiente para o bebê.

Pré-natal

Sgarbi tem pesquisado o assunto nos últimos dois anos. No ano passado, apresentou trabalhos em congressos de endocrinologia realizados em Ribeirão Preto e Brasília e em Los Angeles, nos Estados Unidos. Mostrou que aproximadamente 28% das mulheres com potencial para engravidar tinham deficiência de iodo. O levantamento foi feito na comunidade japonesa de Bauru.

“O resultado é considerado preocupante porque estas mulheres poderiam desenvolver hipotireoidismo durante uma possível gestação”, diz.

Agora, o pesquisador desenvolve projeto para detecção precoce de hipotireoidismo e deficiência de iodo durante a gestação. Quer que os exames se transformem em rotina do pré-natal em todo o Brasil.

Nos Estados Unidos, projeto semelhante revelou que cerca de 6% das mulheres grávidas tinham hipotireoidismo e não eram tratadas.

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