Algumas sondagens recentes mostraram que a indústria brasileira tem uma visão otimista em relação aos desafios envolvendo a Alca. Pesquisa do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) revelou que 91% dos empresários pesquisados acreditam que a Alca favorecerá o Brasil, ainda que 72% o façam com restrições. É curioso que apesar de 70% deles acreditarem que a economia brasileira atual é pouco competitiva, 84% acreditam que suas empresas são competitivas, sendo 7% muito competitivas. É importante salientar que em termos competitivos o setor industrial brasileiro não se mostra homogêneo.
Segundo a pesquisa do Iedi , não teriam condições de aumentar as exportações os setores de alimento, bens de capital, brinquedos, cosméticos, material de construção, móveis de escritório, química, software e informática. Não estariam preparados para enfrentar a concorrência das importações os setores de armamento, bens de capital, brinquedos, componentes eletrônicos, construção civil, eletrônica de consumo, móveis de escritório, papel e celulose, química, software, informática e têxtil.
Outra pesquisa encomendada pelo Ministério do Desenvolvimento mostra que grande esforço de modernização deverá ser feito nos setores automotivo, farmacêutico, informática, telecomunicações e eletrônica de consumo; são necessários ajustes nos setores de petroquímica, plásticos e bens de capital. E estão amplamente preparadas para competir os setores de café, suco de laranja, aço, couros, calçados, têxtil, vestuário e papel e celulose.
Pesquisa semelhante divulgada na revista Exame confirma que 60% dos entrevistados (executivos da lista das 500 maiores empresas brasileiras) acreditam que a Alca pode beneficiar o Brasil; 75% responderam que suas empresas estão parcial ou totalmente preparadas para a integração e 47% acreditam que serão beneficiados diretamente.
Como se vê, do ponto de vista empresarial as perspectivas envolvendo a Alca são favoráveis. No entanto, há que se atentar para a diversidade de situações setoriais no encaminhamento das negociações. A Alca é um processo em andamento que não tem volta. Essa integração envolve riscos e oportunidades que demandam minuciosa avaliação dos agentes públicos e privados.
De um modo geral, a Alca seria um importante fator de estímulo para o crescimento do setor industrial brasileiro, o qual, ainda que concentrado nos ramos tradicionais, já passou pela abertura comercial do início dos anos 90, fase em que atingiu índices de eficiência e qualidade que lhes garantiriam competitividade frente aos seus concorrentes. (O autor, Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque, é doutor em Economia pela Universidade de Harvard (EUA) e professor-titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas)