Bairros

Espera no Hospital de Base é apurada

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A Comissão de Ética do Hospital de Base (HB) e a Direção Regional de Saúde (DIR-10) vão apurar as circunstâncias em que a paciente Divina Rosa de Souza foi atendida no HB, no último final de semana. De acordo com denúncias de familiares, ela esperou 12 horas por um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“O caso de ontem (anteontem) pode ter sido uma situação esporádica, mas não dá para ficar na dúvida, vamos investigar o que aconteceu”, garante o diretor da DIR-10, Affonso Viviani. Ele diz que até agora, que ele tenha conhecimento, não ocorreu caso semelhante em Bauru.

Com problema crônico de úlcera, Divina deu entrada no Pronto-Socorro Central (PSC) às 23h de sábado, mas só foi atendida no HB às 6h de domingo. Por volta das 11h do mesmo dia, foi operada às pressas.

Segundo matéria publicada ontem pelo JC, o atendimento não teria sido mais rápido porque além de não haver vaga na UTI do HB (os 27 leitos estavam ocupados), o anestesista não estava de plantão.

O diretor-clínico do hospital, Samuel Fortunato, para quem o assunto também será investigado pelo Conselho Regional de Medicina (CRM), desmente a segunda informação. “O plantonista estava lá, mas a paciente deveria se submeter a outros exames antes da cirurgia. A Comissão de Ética entregará um relatório ao CRM com informações sobre o caso”, ressalta.

Ele ainda informou que a situação da UTI ontem à tarde não era das mais críticas. “Hoje temos apenas um leito extra ocupado, mas podemos trabalhar com até quatro. A situação deve melhorar quando as unidades do Hospital Estadual de Bauru (HE) estiverem disponíveis”, comenta.

Concorda com ele o diretor da DIR-10. Para Viviani, o governo do Estado investiu na conclusão das obras do HE justamente para atender à demanda.

Segundo ele, a DIR-10 está respeitando a portaria 1.206/2002, do Ministério da Saúde, que estabelece os parâmetros de cobertura assistencial no Sistema Único de Saúde (SUS). O documento indica quantos leitos devem existir per capita, inclusive na UTI.

Leitos

Quando a questão esbarra no atendimento oferecido nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), ele reconhece que a direção oferece apenas 95% do que recomenda a portaria, já contando com as vagas que serão disponibilizadas pelo HE. “Mas isso se toda a região fosse atendida pela rede SUS, o que não acontece”, pondera Viviani.

A portaria recomenda que 4% a 10% do total de leitos disponibilizados na região sejam destinados à UTI. Como a DIR-10 conta com 1.931 leitos, ela deveria dispor de uma média próxima a 187, mas conta com apenas 141.

A partir de junho, o HE começa a oferecer mais 35 vagas, porém ainda faltariam dez, contando que todo atendimento hospitalar da região seja realizado pela rede SUS, enfatiza o diretor.

“Como pretendemos transformar o Hospital de Base num centro de referência em urgência e cirurgia, é possível que outras vagas também sejam abertas lá. Estamos tentando resolver um estrangulamento já identificado pelo governo do Estado”, explica Viviani.

Com relação a todos os outros leitos, ele informa que o Ministério da Saúde indica uma variável de 2,5 a 3 leitos por 1.000 pessoas. Em Bauru, o índice adotado é de 2,92%, portanto elevado. Levando em conta que na região atendida pela DIR-10 estão cerca de 983 mil pessoas, em suas 38 cidades, o total de vagas ofertadas deveria ser de 2.870.

Atualmente, a direção dispõe de 2.802 leitos, contudo 871 são destinadas ao pacientes psiquiátricos. Assim, restam 1.931, o que indicaria um déficit de 319, porém o HE ofertará mais 350 vagas.

“Destaco que esses números são calculados levando em conta que toda a população da região seja usuária da rede SUS, contudo sabemos que parte recebe atendimento através de assistência médica privada. Portanto, estamos atendendo dentro dos índices”, enfatiza.

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Quadro clínico

A paciente Divina Rosa de Souza, 62 anos, já não corre mais riscos sérios de apresentar uma infecção generalizada. Seu quadro de saúde evoluiu - ela saiu da UTI e até ontem à tarde seu quadro de saúde era estável. A informação foi prestada pelo médico Samir Salmem, que diagnosticou a gravidade da situação e recomendou que a família denunciasse o caso à polícia e à imprensa.

Ontem, novamente ele preferiu não se manifestar sobre o assunto alegando questões de ética. Contudo, na opinião de familiares, a recomendação dele surtiu efeito. “Se não tivéssemos acionado a polícia e a imprensa, talvez minha mãe não estivesse viva. Fiquei em pânico, mas agora ela está melhor e fará novos exames”, explica a filha da paciente, Rosilei de Souza.

Preocupada com informações extra-oficiais que indicam ser um problema reincidente, ela e o irmão prestarão depoimento à Ouvidoria da HB hoje.

Apenas a direção do Pronto-Socorro Central (PSC) não investigará o caso através de uma sindicância. Segundo o diretor do Departamento de Urgência e Emergência do PSC, Felinto dos Santos Neto, todos os procedimentos realizados no pronto-socorro foram checados e considerados regulares.

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