Esportes

Parreira inicia trabalho com problemas

Por Da Redação | Com agências Estado e Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Guangzhou, China - Apesar da festiva recepção no desembarque da Seleção Brasileira, ontem, em Guangzhou, o técnico Carlos Alberto Parreira enfrentou uma série de problemas que culminaram com o cancelamento do primeiro treino para o amistoso contra a China, amanhã.

O atraso no vôo dos atletas que atuam por clubes espanhóis e italianos, além das ausências de Gilberto Silva (Arsenal), Amoroso (Borussia Dortmund), Júlio César (Flamengo), Luisão (Cruzeiro), Anderson Polga (Grêmio) e Kléberson (Atlético-PR) e o desgaste da viagem, atrapalharam o início de trabalho do novo treinador da seleção.

Mesmo com as adversidades, Parreira se mostrou otimista com esse começo de trabalho em sua terceira passagem como técnico da seleção - as outras foram em 1983 e de 1991 a 1994. O treinador ainda demonstrou a felicidade pela recepção chinesa e fez questão de ressaltar a importância da partida de amanhã.

“Apesar de ainda não ter começado o trabalho de campo, já estou orgulhoso e confiante do trabalho que estamos começando e que visa a conquista do sexto título mundial para o Brasil”, disse Parreira.

“Este amistoso contra os chineses será o ponto de partida da seleção para conquistarmos mais uma Copa do Mundo. E, mesmo com uma longa e desgastante viagem e o fuso horário, já sinto a vontade dos atletas em entrar em campo e defender as cores do Brasil.”

Com o cancelamento do treino de ontem, a única movimentação da seleção antes da partida será feita hoje, às 8h (de Brasília). E Parreira ainda vai ter problemas, já que não vai poder trabalhar com os atletas dos clubes brasileiros, além de Amoroso, que têm chegada prevista para a noite.

Gafes

A primeira visita da Seleção Brasileira ao país mais populoso do mundo começou com gafes, adoração explícita a Ronaldo e uma das recepções mais esdrúxulas que o time já recebeu em suas excursões pelo planeta.

O episódio mais bizarro aconteceu na entrevista concedida por Zagallo aos chineses - ele foi o único da delegação a falar com os repórteres asiáticos. Exausto, com cara de sono e um raro mau humor, o veterano coordenador teve que aguentar um tradutor que cometeu uma série de equívocos até ser substituído por gente da platéia que dominava os dois idiomas.

Antes, o pobre tradutor perguntou a Zagallo qual competição era a Copa do Mundo, confundiu Argentina com França e não foi capaz de ser fiel às palavras do brasileiro em simplesmente nenhuma oportunidade.

Quando o coordenador declarou que estava muito satisfeito de estar na China, por exemplo, a tradução foi que Zagallo achava a China muito bonita. Depois do vexame, envergonhado, o tradutor saiu correndo do auditório em que aconteceu a entrevista.

“Comércio”

“Futebol é comércio”. Foi assim que o coordenador técnico Zagallo definiu uma das razões para o Brasil enfrentar a China, que ocupa o modesto 64º lugar no ranking mundial da Fifa.

Ele fez a declaração quando questionado sobre a razão pela qual a equipe que trabalha vai iniciar a preparação para o próximo Mundial com um rival tão débil. Para Zagallo, a presença do Brasil vai desenvolver o futebol da China, que, afirma, deve investir mais na contratação de seus compatriotas para os times locais.

Pelo jogo de amanhã, a CBF vai receber uma das maiores cotas da história por um amistoso. Livre do pagamento de passagens e hospedagem, a entidade vai receber US$ 1 milhão, o dobro do que cobrava antes da conquista do penta em 2002. Por perderem seus astros, os clubes europeus reclamaram muito do jogo, que, afirmam, só teria “motivação econômica”.

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