Talvez o que vou contar já tenha acontecido com você, também. Quando estamos “no sufoco†procuramos o banco para pedir um empréstimo. Se temos crédito, o dinheiro será depositado em nossa conta. Mas, conversa vai, conversa vem, acabamos comprando um plano de seguros ou um plano de capitalização ou deixamos uma parte do dinheiro aplicado ou um cartão de crédito, etc. Os pedidos de empréstimos são oportunidades de negócios, para o banco e para o cliente.
Essa é a verdadeira razão para esse alarde com as aposentadorias dos funcionários públicos. No último acordo com o FMI, o governo FHC assinou um memorando comprometendo-se a instituir a previdência complementar dos servidores ( item II.6 do documento Brasil – Memorando de Política Econômica – 04.09.02)! É a retribuição que o FMI espera do governo brasileiro pelos empréstimos que fez ou fará. O dinheiro arrecadado com a contribuição dos servidores para as suas aposentadorias é alto e o mercado financeiro está interessadíssimo em abocanhá-lo (a televisão não está “de graça†nessa campanha). No “sufoco†em que o país sempre se encontra, a previdência dos servidores foi o negócio da vez no balcão dos empréstimos. E o novo governo, porque se elegeu prometendo honrar contratos, está seguindo à risca... O que nos deixa estarrecidos é a mentira que se conta ao povo para justificar essa negociação. O que se esconde é que, indo esse dinheiro para a previdência complementar privada, o país perde! Pois não haverá redução alguma nas despesas do orçamento. O que haverá, sim, é redução de receitas. Está muito claro que essa reforma fará o dinheiro encolher! E quem pagará o pato? Nós, todos nós. Imagino que, com a reforma tributária vindo logo em seguida, na melhor das hipóteses o governo recuperará o que perdeu aumentando algum imposto. Alguém duvida? (Elizabeth Mattiazzo – RG: 4.870.982)