Regional

Cativeiro de empresário é incógnita

Por Tânia Fonseca | Com Agência Estado
| Tempo de leitura: 3 min

Lins - Um dia após a prisão do seqüestrador e a libertação da vítima, a polícia não conhecia até ontem, o imóvel que durante mais de cinco meses serviu de cativeiro para o empresário João Bertin, 82 anos, patriarca da família proprietária de um dos maiores abatedouros de carne bovina do País.

De acordo com o delegado seccional de Lins, Orlando Pandolfi Filho, a equipe do Denarc-SP que iria à cidade ontem para tomar o depoimento do empresário não apareceu, o que é esperado para hoje.

Apesar de toda especulação que surgiu em torno da questão, o delegado Pandolfi Filho afirmou ontem que até o final da tarde a polícia ainda não tinha nenhuma pista concreta que possa levar ao cativeiro onde João Bertin ficou desde o dia em que foi seqüestrado, 8 de setembro do ano passado, até a madrugada de anteontem quando foi libertado.

A libertação do empresário, ocorreu cerca de duas horas depois da prisão de Pedro Cieichanowski, 49 anos, líder da quadrilha mais procurada do País, e que atualmente estava morando em Curitiba-PR.

Depois de anos procurando por Cieichanowski, a polícia chegou à casa dele na noite de segunda-feira e após ter a residência cercada e apresentar relutância em sair da casa o seqüestrador, momentos antes de se entregar, telefonou para seus comparsas e ordenou a libertação de João Bertin.

O empresário estava dormindo quando um dos seqüestradores entrou no quarto e o sacudiu: “Acorda! Você vai embora.” Como os presidiários quando deixam a cadeia, Bertin recebeu de seus ‘carcereiros’ a roupa que estava usando no dia em que foi capturado e a ordem de a vestir. Ainda teve de devolver o calção que os criminosos lhe haviam dado. Os dois ou três homens que tomavam conta dele estavam encapuzados, como sempre. Quando o empresário terminou de se vestir, o colocaram no porta-malas de um carro.

Foram cerca de duas horas de viagem. Esse é o tempo que Bertin acha que demorou até o carro parar. Os bandidos abriram o porta-malas e o retiraram de lá. Foram lacônicos. Disseram apenas: “Ali em frente é Assis.” E foram embora.

O empresário não viu nenhum rosto nem soube dizer qual a marca do veículo usado pelos seqüestradores. Ele caminhou alguns metros pela estrada em que foi abandonado, até encontrar um ônibus escolar. Bertin pediu carona ao motorista, que o levou até aquela cidade, onde o empresário telefonou à família. Eram quase 7h.

Banhos

Bertin só saía do cômodo onde foi trancado para tomar banho ou usar o banheiro. Para tanto, batia na porta e chamava os criminosos. À noite, tinha autorização para apagar a luz do quarto antes de dormir. Em nenhum momento precisou ser medicado. Também não foi agredido.

Ao saber de sua libertação, a família, que mora em Lins foi buscá-lo em Assis imediatamente. No avião, além do filho Natalino, estavam dois policiais. Por volta das 9h, Bertin chegava em sua casa. Estava um pouco mais magro. Mandou chamar um barbeiro para cortar os cabelos e disse que seu único plano era almoçar com a família. O pedido de resgate não chegou a ser pago pela família.

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