Turismo

Geologia e pré-história

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

O Parque Varvito, testemunho pré-histórico de Itu, é um local de passeio e lazer para adultos e crianças.

Apresenta uma das mais antigas formações geológicas de milhões de anos: a única sedimentação horizontal simétrica tombada pelo patrimônio histórico.

O parque foi construído ao redor da pedreira de varvito (rocha sedimentar que se forma em lagos de regiões glaciares e se caracteriza por camadas claras, arenosas, argilosas e escuras, ricas em substâncias orgânicas depositadas no inverno).

A repetição do processo de modo cíclico formou a raridade geográfica de Itu, que hoje, se Simplício estivesse na tevê poderia ser mais um exagero da cidade, mas este, verdadeiro.

Trilhas e cavalgadas

Entre outras propriedades rurais, está localizada em Itu a Fazenda Capoava, um hotel-fazenda que oferece aos hóspedes comida caseira (leitão à pururuca e frango caipira, entre outros pratos), trilhas na mata e cerca de 70 cavalos para cavalgadas inesquecíveis.

Para breve, os proprietários prometem a chegada de vacas e animais silvestres que a tornarão ainda mais atrativa. Os hóspedes poderão ordenhar as vacas, beber leite no curral ou mesmo vaciná-las quando for a época”, detalha Raul Almeida Prado, gerente da propriedade.

As fazendas de Itu são famosas. Nelas muitos filmes e novelas de televisão foram rodados aproveitando a diversidade das paisagens favorecidas pelo baixo índice pluviométrico. Há trechos que lembram as paisagens nordestinas e quase que ao lado de florestas exuberantes com matas fechadas.

“Lampião, o Rei do Cangaço”, “Corisco - o Diabo Loiro”, “Anjo Mau” e a novela da Televisão Cultura de São Paulo, “Meu Pedacinho de Chão”, são exemplos de produções feitas na cidade.

Essa diversidade ambiental favorece ainda a fauna e a flora. Os proprietários da Fazenda Capoava pretendem fazer um levantamento das espécies vegetais da região, catalogando plantas como bromélias e orquídeas, que proliferam com facilidade no ambiente.

Hospedagem de bandeirantes

Fazendas próximas da Capoava, como a Concórdia e a Cana Verde, ainda conservam características da época áurea do café. Caso dos terreiros de café, dos antigos casarões com amplas janelas, senzalas claustrofóbicas e tulhas, local onde o fruto era armazenado.

A tulha ainda servia para a realização dos bailes organizados pelos imigrantes italianos para homenagear seus santos de devoção.

Em algumas propriedades rurais eles ainda acontecem, reunindo famílias que através da música e da dança fazem uma viagem ao passado. Uma viagem que lembra também os bandeirantes, desbravadores que paravam em Itu para descansar e reabastecer a tropa.

É possível passar o dia nessas fazendas, desembolsando em torno de R$ 18,00. Estão embutidos no preço a visita, o café da manhã e o almoço. Quem deseja caminhar, pescar ou andar a cavalo, pagará pelas atividades à parte.

Museu

Itu é conhecida como Berço da República porque lá se reuniram em 1873 os convencionais republicanos. Portanto, o city tour obrigatoriamente deverá começar pelo Museu Republicano, o sobrado palco de um dos mais notáveis episódios da vida do povo brasileiro.

Ele conserva móveis da época de 1873 e também o gabinete do presidente Prudente de Moraes.

Ainda no Centro Histórico ficam o Cruzeiro de São Francisco, a Igreja do Bom Jesus, a Igreja do Carmo e a Matriz Nossa Senhora da Candelária, construída em 1780.

Seu teto, de pedras, é obra da artista italiana de Modena, Lavínia Sereda. Já a imagem da Imaculada Conceição foi trazida de Portugal por D. Pedro I.

Oficialmente inaugurado em 18 de abril de 1923, O Museu da República foi no passado residência da família de Carlos Vasconcelos de Almeida Prado, um fazendeiro de café convertido aos ideais republicanos. Trata-se de um sobrado dos mais significativos na arquitetura da cidade.

No quintal da antiga residência criou-se um pequeno jardim, inspirado em jardins franceses, que recebeu o chafariz central e um conjunto de esculturas denominado “As Quatro Estações”.

O acervo do museu é formado por objetos, documentos texturais e documentos iconográficos, que pertenceram ou estão associados aos republicanos históricos e “convencionais de Itu”, nome com o qual ficaram conhecidos os participantes da convenção republicana de 1873.

A documentação iconográfica é formada por pinturas, gravuras, desenhos, mapas e fotografias. É bastante conhecida a “Galeria de Retratos”, uma coleção de retratos a óleo dos convencionais e políticos da Primeira República pintados por Oscar Pereira da Silva, Almeida Júnior, Pedro Alexandrino e Tarsila do Amaral, entre outros.

Bar do Alemão

Quem vai a Itu em busca de suas curiosidades gigantes, não pode perder as delícias do Bar do Alemão, referencial gastronômico da região.

Cem anos depois de sua inauguração, em novembro de 1902, seu filé à parmegiana continua imperdível. O Bar do Alemão ocupa o mesmo espaço - agora maior e remodelado - no centro histórico da cidade.

A casa permanece sob o comando da família Steiner, de imigrantes alemães, agora na quarta geração e oferece além de pratos saborosos, refeições fartas.

Ninguém sai insatisfeito do restaurante, nem com fome para o salgadinho da tarde. Os pratos do alemão resistiram até mesmo a onda fast-food. Para se ter uma idéia, 3.500 parmegianas são vendidos por mês.

Colocado no cardápio em 1950, o filé é o prato mais pedido. Também pudera. É um ituano legítimo: generoso, caprichado, exagerado, servindo bem quatro pessoas.

Desde 1967, o prato é supervisionado pelo chefe Franco, que não revela detalhes da receita. Fica apenas no geral: a carne (maturada) é comprada de um fornecedor exclusivo em peças de 2,2 quilos.

Um prato leva 600 gramas do filé limpo, sem fibras e nervuras, com até 2cm de espessura. Frita-se a carne à milanesa, depois de passada uma vez só no ovo batido e na farinha. “A camada tem que ficar muito fina”, explica.

Sobre o filé vai o queijo prato e o parmesão (cerca de 300 gramas). Segue-se o molho preparado com dois quilos de tomate especial, sem sementes, batido, cozido e coado. Mas o tempero, o que dá o “tchan” ao prato, ele não revela. Só indo a Itu para degustá-lo.

Também fazem parte do cardápio da casa o einsbein (joelho de porco), outro típico alemão.

O ex-vereador Abílio Savi que durante 41 anos atuou no legislativo da cidade é um dos apreciadores do filé. Aos 84 anos, Savi conta que freqüenta o bar desde criança e que tem cadeira cativa. Sente saudade dos pãezinhos de 50 réis cobertos com açúcar que eram vendidos pela casa.

Antes de se tornar um restaurante, o alemão era uma padaria que servia pães, doces, confeitos e sorvetes preparados de forma artesanal.

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