Sem ônibus em quatro pontos, entregas de botijões de gás, compras de supermercado e remédios, carros presos nas garagens, muitos acidentes com motos e pedestres, muitos moradores do Jardim Andorfato estão deixando suas casas, pois as erosões tomaram conta de praticamente todas as ruas do bairro.
A principal via do local, a rua Aldo Aparecido Marcelino, que dá acesso ao Parque Jaraguá e à Vila Nova Esperança, só pode ser atravessada a pé e com cuidado.
â€œÉ a rua que dá acesso à cidade, a rua que as crianças pegam para ir à escolaâ€, aponta Aparecida de Fátima, que mora na quadra 1 há 15 anos e afirma que os pedidos de melhoria e asfalto nunca foram atendidos. Ela conta que cinco vizinhos já deixaram a rua, seu cunhado, que mora ao lado de sua casa, está construindo em outro bairro para mudar-se, e muitas vezes ela mesma pensa em deixar o lugar.
“Às vezes, a prefeitura manda passar a máquina, mas o serviço não dura 15 dias. Se chove, no dia seguinte já está tudo comprometido de novo. Não tem condiçãoâ€, conta.
Ela explica que cada morador usa uma alternativa para conseguir sair e entrar em casa: arruma entulho, planta grama, joga terra e pedra nos buracos.
Os moradores também contam que há uma semana uma viatura da polícia ficou atolada no local.
Ambulâncias também não têm como atender às ocorrências. Há alguns dias um senhor caiu de uma moto e precisou ser carregado pelos vizinhos até o carro que veio resgatá-lo, relata a moradora Maria Rodrigues.
O drama também é vivido pelos comerciantes locais, que não conseguem receber mercadorias, nem fazer entregas. Um tapeceiro tem que fazer mutirão toda vez que precisa entregar um sofá. Os amigos carregam o móvel até um ponto que o caminhão consiga trafegar.
Segundo os moradores, há um ano os coletivos também deixaram de percorrer as ruas do bairro. Entretanto, os usuários dos coletivos revelam que os períodos de normalidade são curtos. Na somatória de tempo, em um ano, os carros conseguem cumprir todo o itinerário durante três meses aproximadamente.
A assessoria de comunicação da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) confirma que o trajeto precisou ser alterado para não danificar os carros e colocar em risco os passageiros.
Nesta mudança, quatro pontos foram eliminados das linhas Jd. Eldorado/Jd. Andorfato e Shopping/ Aeroporto/ Jd. D. Sarah e os moradores precisam andar algumas quadras até a rua São Sebastião, na Nova Esperança para tomar um ônibus.
De acordo com a Emdurb, a linha só volta ao normal quando a Secretaria das Administrações Regionais (Sear) passa uma niveladora pelo trecho.
Tapa-buracos
O secretário das Administrações Regionais (Sear), Arlindo Figueiredo, confirma o drama do bairro e afirmou que na semana passada um novo pedido de nivelamento foi feito. Entretanto, aponta que devido à demanda, a prioridade é liberar as linhas de ônibus, por isso as demais ruas ficam para um segundo momento.
De acordo com Sérgio Lavras, diretor da divisão de terraplanagem da Sear, há um mês foi executado o nivelamento do Jardim Andorfato e garantiu que hoje uma nova operação “tapa-buracos†seria iniciada no local com a colocação de terra e entulho fino. “Como trabalhamos das 7h às 19h, se não chover, até sábado conseguimos devolver o trajeto do ônibus, que atende 90% da população daquele bairro.â€
Já o diretor da Regional Falcão, que atende ao bairro, Márcio Roberto, revela que além da chuva, que pode acabar com o trabalho de um mês em apenas uma tarde, outro elemento que acaba atrasando os nivelamentos na cidade é a distância dos terrenos municipais de onde se tira a terra para o “recape de primeiro-socorrosâ€. Mas aponta que reestabelecer linhas de transporte coletivo é prioridade.
Entretanto, nenhum dos diretores soube responder quando o bairro receberá o tão sonhado asfalto. Eles atribuem a responsabilidade à Secretaria de Obras.
Há dois dias, o JC tenta um parecer do secretário Antônio Carlos Duarte, mas não obtém resposta. O engenheiro Eduardo Sanches, responsável pela Divisão de Pavimentação da pasta também não foi localizado.