A fábula de Lafontaine, sempre atual, nunca esteve tão evidente como nos dias de hoje. O cordeiro, como sabemos, em vão contestava a acusação fantasiosa do lobo, cujo apetite voraz acabou prevalecendo. Inútil o protesto da grande maioria dos países, respaldados pela ONU, argumentando irrefutavelmente contra a insanidade da guerra que Bush (Mr. War) teima em infligir em nome da maior potência bélica do Planeta ao mísero Iraque, cuja infeliz população suporta as maiores privações. Não bastasse ser governado pelo tirano e histrião Saddam Hussein. Não importa o laudo dos inspetores da ONU atestando não encontrar ameaça alguma idônea que justifique o ataque. Bush certamente responderá de sua alta sapiência: “Não gosto do bigode do Saddam e prontoâ€.
- Mas e as conseqüências terríveis que atingirão a economia mundial?
- Não interessa (redargue Mr. War). Ademais, essa estória de que ali teve início a civilização da humanidade me incomoda, tá?
- Mas, presidente Bush, o mundo islâmico clamará por vingança. Haverá grande terrorismo.
- Não quero saber. É guerra e acabou-se. Depois, eu nunca engoli aquele papo do Nabucodonosor e seus Jardins Suspensos da Babilônia. E assim, amigos, uma vez mais o apetite vencerá a razão. Pobre cordeiro, não escapará à sanha de seu algoz. (Manoel Porfírio Rocha Filho - OAB/SP 12989)