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Bauru promove amanhã um ato contra guerra no Iraque

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto os Estados Unidos concentram todos os esforços em um possível ataque ao Iraque, os bauruenses se preparam para participar do Dia Internacional de Mobilização contra a Guerra. Amanhã, a partir das 10h, estarão reunidos no cruzamento da rua 13 de Maio com o Calçadão da Batista de Carvalho pedindo a paz.

Durante o ato, serão recolhidas assinaturas contra a política do presidente George W. Bush, que serão encaminhadas à embaixada americana junto com um manifesto que está sendo redigido pelo Comitê Contra a Guerra em Bauru.

O comitê foi criado anteontem à noite, num encontro realizado pelo Partido Comunista do Brasil (PC do B) que reuniu 30 pessoas, entre membros de partidos políticos, sindicatos, organizações não-governamentais e civis, grupos religiosos, estudantes e trabalhadores.

“Espero que a comissão tenha uma vida curta, quanto menor, melhor. A idéia de sua criação é a de fomentar o debate sobre a hegemonia americana e pressionar as lideranças brasileiras para se posicionarem contra o conflito”, explica a vereadora Maria José Majô Jandreice.

Na segunda-feira, na sessão legislativa, ela vai apresentar uma moção de repúdio ao ataque contra ao Iraque. Para a vereadora, os Estados Unidos estão se utilizando de pretextos para mostrar sua força hegemônica e de dominação.

Concorda com ela a presidente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Iraci Borges. A fim de apresentar as conseqüências econômicas e humanas dos conflitos, a legenda vai apresentar, no sábado à tarde, o documentário “As lembranças da Guerra”, que será seguido de debate.

“O filme retrata um período que vai desde 1914 até a guerra na Bósnia, em 1992. Ele mostra que mesmo com a assinatura do tratado de paz, as perdas são sentidas por milênios. No debate, pretendemos ressaltar o perfil imperialista da guerra, além de indicar que os países contrários a ela também estão respaldados a interesses geopolíticos”, diz.

Fórum

Para a professora de matemática da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e vice-coordenadora do Núcleo de Ensino de Bauru, Mara Simão, a questão econômica, relativa ao petróleo, está determinando o ataque contra Saddam Hussein.

Ela participou do III Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS). Foi lá que o dia 15 de fevereiro foi escolhido como referência em todo o planeta para a luta contra a guerra.

“Vamos fazer um relatório sobre nossas atividades no Fórum, que deve se tornar público e servir para debate. Na minha opinião, os americanos estão alegando atos terroristas para justificar o ataque, mas se as torres do World Trade Center não tivessem caído, Bush encontraria outra razão”, comenta.

Por essa mesma razão, Maria Aparecida da Luz, coordenadora da Comissão Pastoral da Terra, entidade ligada à Igreja Católica, acredita que o Papa João Paulo II deveria ser mais enfático contra a intransigência do presidente dos EUA.

“A Igreja precisa ser mais clara, porque um ataque só provocará destruições, inclusive no Brasil, que terá sua situação econômica agravada. Os trabalhadores vão perder ainda mais”, conclui.

• Serviço

A apresentação do filme “Lembranças de uma guerra” será realizada na sede do PSTU, na rua Coronel José Figueiredo, 1-25, em frente à Praça do Líbano.

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