A locomotiva 278 passou por mais uma fase de testes na manhã de anteontem. Como no primeiro teste, realizado no dia 10 do mês passado, ela viajou por uma hora e meia com um bom desempenho até a antiga estação de Val de Palmas, localizada na zona rural de Bauru. A novidade desta vez foi a acoplação da locomotiva ao carro-dormitório O1, que ainda está em fase de restauração.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), a Maria-Fumaça foi construída em 1919 e totalmente restaurada pela SMC em parceria com a Novoeste S.A., por meio do Projeto Ferrovia Para Todos. Pesando 26 mil quilos, o carro-dormitório foi construído em 1932 nas oficinas da Noroeste do Brasil. Possui uma capacidade de quatro leitos, com poltronas móveis e camas fixas, do tipo Administração. Era destinado ao uso dos engenheiros e chefes quando saíam em atividades percorrendo as linhas.
O teste comprovou a eficiência técnica e mecânica da Maria-Fumaça em puxar grandes vagões. Para o encarregado pela manutenção dos freios da Novoeste, Israel Felipe Teixeira, o desempenho da Maria-Fumaça foi considerado melhor do que o esperado. “A 278 está apta para a realização de passeios de média distância, com total segurança para os passageirosâ€, afirma Teixeira.
Durante o teste, que percorreu um trajeto de ida e volta de 26 quilômetros, vários populares, principalmente crianças, foram novamente até a beira dos trilhos prestigiar a passagem da Maria-Fumaça, encantados com a máquina a vapor. O teste foi acompanhado por uma locomotiva da Novoeste S.A. com dois funcionários da empresa, que deram todo o apoio e segurança para a realização do passeio.
Para o ferroviário aposentado e presidente do Conselho Deliberativo do Museu Ferroviário Regional, Orlando Ortolan, o Projeto Ferrovia Para Todos marca o início de uma etapa de conservação e resgate histórico.
“Com a entrega da 278 e posterior restauração de toda a composição, Bauru poderá se orgulhar de sua origem ferroviária, além de oferecer aos mais jovens a oportunidade de participar um pouquinho também dessa história. Eu mesmo passei a minha vida inteira pulando de vagão em vagãoâ€, diz Ortolan.
Construída em 1919 pela empresa norte-americana Baldwin Locomotives Works, a locomotiva 278 foi adquirida em 1920 pela empresa ferroviária Noroeste do Brasil para o transporte de passageiros. Equipamentos semelhantes ao que a SMC restaurou só são encontrados hoje no Brasil em acervos de museus ou em operação em pequenos trechos ferroviários com finalidade turística e museológica.
O projeto “Ferrovia Para Todos†conta com o apoio do Jornal da Cidade, Faidiga Madeiras, designer André Petraglia, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho†(Unesp), RFFSA-Bauru, Rádio Unesp, Rádio Auri-Verde, Bauru Painéis, Lwart, Seagro, Secretarias Municipais de Obras, Meio Ambiente e das Administrações Regionais, além de ferroviários aposentados.
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Val de Palmas
Inaugurada em 1895, um ano antes da fundação de Bauru, a fazenda foi a maior produtora mundial de café, com 2,3 milhões de pés plantados no final do século 19. A Val de Palmas foi aberta por José Ferreira de Figueiredo, com uma safra inicial de 500 mil pés de café.
As primeiras sacas da produção foram transportadas em carros de boi até Agudos, para o embarque nos trens da Sorocabana. Em 1910, a instalação dos trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil passando por dentro da fazenda permitiu que a safra de café saísse direto de Val de Palmas para o porto de Santos, onde era embarcado para a Europa e Estados Unidos.
A construção da Estação de Val de Palmas possibilitou não somente o escoamento da produção cafeeira, mas também o desenvolvimento de Bauru, pois colaborou para a circulação das informações políticas e econômicas que agitavam os grandes centros emergentes no final do século 19.
Hoje abandonada e desativada, a história da fazenda e da estação de Val de Palmas confunde-se com a de Bauru, pois com sua sede distante apenas 10 quilômetros do Centro da cidade, foi durante muitos anos considerada referência mais importante do que a própria Bauru.