Polícia

PM apreende acusados de dois roubos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A Polícia Militar apreendeu três adolescentes e prendeu Ivan Elias Vaz, 18 anos, na madrugada de ontem em Bauru. Eles são acusados de invadir duas casas para roubar e ter atirado contra os moradores. Esta é a terceira ocorrência grave registrada na cidade em 15 dias envolvendo adolescentes.

Na primeira residência, na quadra 4 da rua Henrique Savi, ninguém foi ferido. Mas o dono da outra casa invadida, logo após, foi atingido por um tiro que transfixou seu ombro, conta o tenente Hudson Covolan, comandante do Tático-4, que coordenou a captura do grupo.

A vítima foi internada no Hospital Beneficência Portuguesa e passa bem. O tenente Hudson conta que as vítimas da primeira casa só viram um invasor, que depois foi reconhecido como sendo Vaz. Porém, ele apurou que os quatro rapazes participaram da tentativa de assalto.

“Um dos adolescentes, de 14 anos, ficou do lado de fora vigiando enquanto os outros três entraram na casa após pular o muro. Na casa estavam uma mulher com suas duas filhas, que só viram um rapaz. Segundo ela contou, ele pulou o muro já com uma garrucha calibre 22 em punho e as obrigou a entrar no banheiro”, relata.

Após revirar a casa sem ter achado dinheiro e jóias, o rapaz voltou para o banheiro, mas não conseguiu subjulgar as vítimas que, para se defender, fecharam o cômodo à chave. “Sem conseguir abrir a porta e com as três gritando por socorro, ele colocou a arma para dentro do banheiro através do vitrô e atirou, mas não acertou ninguém”, diz o tenente Hudson.

Provavelmente com medo de serem pegos, eles fugiram enquanto os vizinhos, que ouviram os gritos de socorro e o barulho do disparo, acionaram a Polícia Militar. “Deslocamos as viaturas do Tático-4 e da Base Sul para a região e passamos a vasculhar todos os quintais à procura do ladrão com base na descrição feita pela vítima”, diz.

Vizinhos da família, porém, disseram aos policiais que viram quatro rapazes, sendo um deles o descrito pelas vítimas, correndo em direção à avenida Nações Unidas. “Quando estávamos procurando os quatro chegou a informação de que uma pessoa tinha sido baleada em um assalto a uma casa próxima da Praça da Paz”, relata tenente Hudson.

Ao chegar na casa, os policiais encontraram o morador baleado no ombro. “Nós o socorremos e ele e a esposa, que estavam na casa, contaram que dois rapazes tinham entrado na residência com uma garrucha”, frisa.

Eles foram denunciados pelo barulho que fizeram no quarto. “Ao ouvir um barulho no quarto, a mulher foi verificar o que estava acontecendo e viu um adolescente, que se assustou e escondeu debaixo da cama”, conta Hudson. A dona da casa chamou o marido, que passou a fazer barulho no corredor para espantar o ladrão.

Porém, segundo o tenente Hudson, o invasor, ao invés de fugir pela janela, por onde havia entrado, como fez o segundo rapaz que estava no quarto, saiu pelo corredor. “Ele encontrou o dono na casa no corredor e atirou, acertando o ombro dele”, conta.

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Menores no crime

As duas tentativas de roubo com disparo de arma de fogo, ocorridas anteontem em Bauru, chamam a atenção para o aumento de ocorrências graves envolvendo adolescentes. No início do mês, cinco adolescentes, sendo quatro foragidos da Febem, foram apreendidos acusados de roubar uma casa na Vila Alto Paraíso.

Eles estavam com um rapaz maior de 18 anos e foram reconhecidos pelas vítimas. O grupo fugiu no Corolla do dono da casa com jóias e dinheiro. Uma semana depois, um idoso foi morto com golpe de faca e sua esposa e seu cunhado também foram feridos durante um assalto no Parque Primavera.

Nesta semana, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) apreendeu um adolescente que confessou ter esfaqueado o idoso para roubar. Através de informações dada por ele, a polícia chegou a outro menor, que também foi apreendido.

O delegado Adib Jorge Filho, titular da Delegacia da Infância e Juventude (Diju), não soube dizer se cresceu ou não a porcentagem de crimes com a participação de menores, mas confirma que neste mês foram registradas três ocorrências graves envolvendo adolescentes.

O tenente Hudson Covolan, comandante do Tático-4 e que coordenou a apreensão dos três adolescentes na madrugada de ontem, conta que todos são de famílias pobres, mas trabalhadoras e bem estruturadas. “Os pais de dois deles não acreditavam que seus filhos estavam envolvidos nos roubos”, diz.

De acordo com Hudson, são adolescentes que têm comida, roupa e cuidados dos pais. “Todos estavam bem vestidos e estudavam. Os pais não conseguem entender porque envolveram-se em crimes”, ressalta.

Um dos adolescentes, de acordo com o tenente, achou que, por ainda não ter 18 anos, não seria apreendido. “O menino não acreditou quando o delegado disse que ele estava apreendido. Ele queria ir para casa. Dizia que era menor e não poderia ir para a Febem”, conclui.

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