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Vereador pede limite a casas de jogos

Da Redação
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Após ser procurado por um grupo de mães, o vereador João Parreira de Miranda (PSDB) enviou um requerimento ao juiz da Vara da Infância e Juventude de Bauru, Ubirajara Maintinguer, reivindicando a imposição de limites à permanência de crianças no interior das “LAN houses”, casas de jogos eletrônicos em rede através de computadores.

Esses estabelecimentos estão instalados em Bauru há quase um ano e já se tornaram mania entre os adolescentes. São uma preocupação para os pais que não estão conseguindo impedir que seus filhos passem horas diante da tela do micro.

Segundo um pai que é empresário e preferiu não se identificar, seu filho de 11 anos já chegou a dizer que iria para o clube e foi passar a tarde em uma das lojas da cidade.

“Ele disse que iria jogar tênis com os amigos, mas na verdade eles tinham combinado de ir jogar”, desabafou. “A gente fica de mãos atadas, se houver uma determinação do juiz impondo limites fica mais fácil”, acredita.

O juiz Maintinguer disse que, segundo o artigo 8º da portaria 04/99, é permitida a entrada de adolescente com idade igual ou superior a 14 anos, independente de alvará ou da companhia dos pais ou responsáveis nas casas de divertimentos eletrônicos.

Já as crianças com menos de 14 anos não têm permissão de entrada e permanência no local sem a autorização ou se não estiverem acompanhadas dos responsáveis.

Segundo o juiz, se os estabelecimentos descumprirem essa regulamentação estão sujeitos à multa de até R$1.000,00, podendo dobrar em caso de reincidência. Para ele, a única forma dos pais não permitirem a ida dos filhos nesses estabelecimentos é não dando autorização.

O lado deles

Os adolescentes, em sua maioria de classe média alta, não vêem os jogos como violentos ou que possam interferir no comportamento e na formação da personalidade. Para eles, são apenas passatempo que não prejudicam em nada o dia-a-dia e as atividades obrigatórias, como os estudos.

“Não faz mal nenhum, a gente está só brincando”, disse um adolescente de 12 anos que permanece cerca de duas horas por dia, uma vez por semana nessas lojas.A mãe é categórica em afirmar que é totalmente contra. Para ela, as crianças não têm noção da violência que compõe os jogos.

Maria Aparecida Barbosa, mãe de um outro adolescente de 13 anos diz que acha péssimo o filho freqüentar esses ambientes por não saber qual o tipo de jogo. â€œÉ complicado, tento controlar a quantidade de horas que ele fica lá, mas o problema é o tipo de jogo.”

Alan Roger Reis, proprietário de uma casa na cidade há um mês diz que 99% dos freqüentadores preferem o Counter Strike, um jogo entre polícia e bandido.

O empresário disse que os filhos jogam um contra o outro, ou seja, um faz o papel do bandido e o outro do policial e quando um consegue ‘matar’ o irmão a euforia é total. “Nesses jogos eles só usam armas e ainda tripudiam em cima do corpo daquele que conseguiu ‘matar’. Quando vi meu filho dizendo que tinha ‘matado’ o irmão, fiquei atônito”, desabafou.

Psicologia

Marly Rodrigues Bighetti Godoy, psicóloga especialista em crianças afirma que elas têm noção da violência, mas para algumas, o conteúdo não influi na formação da personalidade, porém, é indispensável impor limites.

O importante, segundo a psicóloga, é o pai dialogar com os filhos e explicar por que esses limites são importantes e a necessidade de exercer outras atividades.

“Alguns são radicais e simplesmente proíbem. Outros permitem porque não sabem dizer não para os filhos”, enfatizou Bighetti lembrando que o ideal é o equilíbrio.

Para ela, os pais precisam mostrar o problema e orientar as crianças para a possibilidade do vício, se não houver horários. “Não tem problema em conhecer, em brincar nos finais de semana, o erro está quando esses adolescentes deixam de fazer outras coisas para ir jogar. Eles não se acham viciados”, explica.

Godoy lembra ainda que, além de explicar para o filho o porquê da proibição, é necessário dizer que existem jogos determinados para cada idade. “Tem outros tipos de jogos, vamos jogar esses outros tipos, que são para a sua idade, ainda não é hora de jogar esses.”

Segundo outra mãe que também prefere não ser identificada, os filhos freqüentam várias vezes por semana as casas de jogos da cidade e ela não vê problemas. Em sua opinião, os pais não devem proibir, têm que permitir com limites de tempo e dinheiro.

“O importante é prestar atenção na vida dos filhos, se for uma criança com problemas de personalidade, os jogos farão mal, mas não podemos generalizar, ótimo não é para ninguém mas também não faz mal”, opina.

Jovens e adultos

Ricardo Cascaldi, 27 anos, administrador de empresas joga cerca de uma hora e meia por dia, quatro vezes por semana. Ele diz que sempre que sobra um tempo, entre o trabalho e outras obrigações e diversões, freqüenta as lojas em busca de diversão. “Eu trabalho e saio com meus amigos, mas quando sobra um tempo eu venho jogar.”

Porém, quando a fascinação pelos jogos chega ao vício, muitos desses jogadores, que não têm uma condição social melhor, fazem economias exageradas para passar algum tempo jogando.

Bruno Garrido, estudante de 23 anos, por exemplo, chega a percorrer nove quilômetros todos os dias para ir de casa até a faculdade para economizar o dinheiro da passagem de ônibus. “Jogo há quase dez anos.”

Fim das férias

Segundo o dono de uma das LAN houses da cidade, o período de férias foi rentável para os estabelecimentos. Entretanto, mesmo com uma queda de 70% no movimento, a casa ainda fatura alto todos os dias. “Chegamos a ter fila de espera durante quatro horas”, sintetiza sobre a mania dos adolescentes.

Daniel Sakai, proprietário de uma franquia do gênero, em que a rede tem lojas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, ressalta que o número de adolescentes diminuiu, mas a casa, que fica aberta até às 6h da manhã e tem entrada permitida para menores de 18 anos até às 22h, está sempre cheia. “Estamos sempre assim, com quase todos os computadores ocupados.”

Cada hora custa em média R$2,50, além dos doces, balas, águas e refrigerantes que estão expostos nos balcões.

Os donos das lojas acreditam que os jogos não são violentos. â€œÉ como um jogo de corrida de carros, é imaginação”, conclui Reis.

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