Bairros

Bauru abre os braços para estudantes

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Todos os anos, cerca de 7 mil universitários ingressam nas sete instituições de ensino superior existentes em Bauru - Instituição Toledo de Ensino (ITE), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade do Sagrado Coração (USC), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Paulista (Unip), Faculdades Integradas de Bauru (FIB) e Instituição de Ensino Superior de Bauru (Iesb/Preve).

A maioria deles - cerca de 60% - vem de outras cidades do Estado (ou do País) para passar, pelo menos, quatro anos vivendo na cidade.

Depois de mais de 30 anos convivendo com esses “forasteiros”, a visão dos moradores em relação aos universitários está mudando. “A postura das pessoas é outra com os universitários”, atesta Eduardo Rodrigues Caldas, estudante de Relações Públicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Ele mora há seis anos em Bauru e notou que, nesse período, as mudanças foram se acentuando. “Antes você não sentia essa proximidade com os universitários, principalmente do setor imobiliário”, conta.

Há cerca de 10 anos, o fato de buscar um imóvel para alugar era uma grande luta para os universitários. As imobiliárias praticamente não tinham residências voltadas para esse público e o jeito era se contentar com casas antigas e em mau estado de conservação para alugar. “A gente não era bem-aceito por aqui”, diz Eduardo.

A advogada Marlene Rezende, proprietária de uma grande imobiliária da cidade, ressalta que essa postura em relação aos universitários mudou a partir do momento que os empresários se deram conta de que esse nicho de mercado é um dos mais lucrativos para eles. “Nós fomos pioneiros nisso. Investimos na divulgação de imóveis direcionados aos estudantes e percebemos que esse era o caminho”, destaca.

Morar ao lado de uma república ainda é complicado para muitos moradores. O fato dos vizinhos serem despojados, gostarem de festa e não terem uma vida familiar tradicional faz com que várias pessoas se oponha a essa situação. “Ainda existe resistência por parte de alguns vizinhos, que acabam pedindo para os proprietários de casas não locarem para esse público”, diz Marlene.

Vizinhança

Os estudantes que moram em república dizem que sempre enfrentam desavenças com os vizinhos. “Nós demos uma festa em casa recentemente e os vizinhos fizeram um BO (boletim de ocorrência) contra a gente”, destaca a estudante de Desenho Industrial da Unesp Andréa Kulpas.

Ela, que veio de Ribeirão Preto há quatro anos para estudar, mora em uma casa antiga na região central de Bauru.

Por outro lado, muitos moradores procuram se integrar com os universitários e acabam entrando no clima desses “forasteiros”. No Parque das Camélias, um verdadeiro reduto de estudantes, as reclamações em relação a esse tipo de morador são mínimas. “Desde que assumi o cargo, nunca ninguém veio falar nada sobre o comportamento dos estudantes”, conta o síndico do residencial, Marco Aurélio Uchida.

Ele diz que, para muitas pessoas do condomínio, os estudantes são os melhores vizinhos. “Eles não costumam dar trabalho e se integram facilmente com a comunidade”, ressalta Uchida.

Para ele, como carregam o estigma de “bagunceiros”, os universitários estão procurando moderar nas festas e barulho. “Eles querem se livrar desse rótulo”, acredita.

Além do Parque das Camélias, outros bairros escolhidos pelos estudantes para morar são o Jardim Brasil, o Jardim Panorama, a Vila Universitária, a Vila Falcão e o Centro. “Eles procuram ficar próximos às universidades ou em locais que tenham fácil acesso”, salienta Marlene, proprietária de uma imobiliária de Bauru.

Para os pais, que costumam acompanhar os jovens no ato da matrícula na universidade, o importante é que a casa esteja localizada em um ponto seguro e com circulação de ônibus. “A gente costuma levar em conta as facilidades que o local oferece, como comércio próximo e pontos de ônibus, além de conforto e preço. Mas, segurança é fundamental”, diz Carmen Alarcon Mattos, mãe de Ana Paula Alarcon Mattos, caloura de Arquitetura da Unesp.

Sem conhecer a cidade e com pouca informação, a professora Heloísa Chiarini veio de Poços de Caldas acompanhando a filha, Cecília Chiarini Sales de Oliveira, que matriculou-se no curso de Relações Públicas da Unesp. “Eu gostaria que ela ficasse primeiro em uma kitnete ou apart-hotel, para conhecer a cidade e os colegas. Só depois, montar república”, salienta.

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