Terminou às 9h da manhã de ontem a primeira rebelião dos detentos da Cadeia Pública de Bauru deste ano, que durou cerca de 12 horas. A unidade foi tomada pelos detentos, que atearam fogo a colchões e destruíram completamente duas celas.
Tudo começou com uma tentativa de fuga frustrada na madrugada do último sábado, de acordo com o delegado titular do Cadeião, Roberval Fabbro.
Um túnel que estava sendo escavado em uma das celas foi descoberto no sábado e os três presos envolvidos foram isolados em uma cela.
Na noite de anteontem, eles serraram a porta da cela e dirigiram-se para o corredor da unidade. O objetivo, segundo o delegado, era tentar uma fuga pelo telhado, através de uma “tereza†(espécie de corda feita com lençóis).
Quando a nova tentativa de fuga foi percebida pelos funcionários, os fugitivos abriram todas as demais celas da Cadeia. Um dos detentos foi tomado como refém.
A Polícia Militar (PM) foi acionada e cercou a unidade. Internamente, o Cadeião ficou completamente tomado pelos detentos, que somavam 172 durante a rebelião - 100 além da capacidade máxima permitida.
Os rebelados atearam fogo a colchões para que a polícia não entrasse no local. Eles destruíram portas e paredes das celas. Duas delas foram inutilizadas devido à proporção dos estragos o que fez com que as celas que não foram danificadas recebessem mais presos, tornando a situação de acomodação dos detentos ainda pior.
O Corpo de Bombeiros também foi acionado. Os focos de incêndio foram controlados por volta das 2h.
“O Corpo de Bombeiros não teve dificuldade para apagar o fogo. Nem precisamos entrar nas celasâ€, explica o tenente Luís Antônio França Carvalho.
Diálogo
A rebelião só foi totalmente controlada aproximadamente às 9h de ontem, através de diálogo mediado por representantes das polícias Militar e Civil. Não houve fugas.
“Não teve nenhum tipo de confronto entre Polícia Militar e os presosâ€, enfatiza Fabbro.
“Foi uma represália pela frustração do plano de fuga. As reivindicações são sempre as mesmas: atendimento médico, remoção para outras unidades, e aí por dianteâ€, acrescenta o delegado.
Seis detentos tiveram ferimentos leves durante a rebelião e receberam atendimento médico no Pronto-Socorro Municipal (PSM) Central.
O restante permaneceu no pátio. A Polícia Civil informou sobre a possibilidade de remoção de alguns detentos para outras unidades do Estado, mas não revelou quandos seriam transferidos nem o destino. Ontem, segundo Roberval Fabbro, cinco detentos foram transferidos para cadeias da região. Outros cinco devem ser transferidos hoje.
A última rebelião registrada na Cadeia Pública de Bauru ocorreu em abril do ano passado. Na tentativa de tirar o delegado Roberval Fabbro do cargo de diretor da unidade, eles queimaram colchões. A rebelião começou às 11h e terminou às 13h.
Para o delegado, as medidas adotadas neste momento são apenas paliativas e a solução para os problemas da Cadeia Pública é o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, que está em construção.
As obras começaram no início do ano passado. O prédio está sendo erguido em terreno do Estado, nas proximidades do Instituto Penal Agrícola (IPA), vai custar R$ 8,2 milhões e terá capacidade para 768 detentos. A previsão é de que ele seja entregue no final de março.
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Frei é feito refém
O único refém da rebelião de ontem na Cadeia Pública de Bauru foi o frei capuchino Tarcísio Tadeu Spricigo, 46 anos. Ele é acusado de atentado violento ao pudor contra um menino de 8 anos, em Agudos, e está detido no Cadeião. Spricigo não sofreu ferimentos.
O crime teria sido praticado em 1999, quando o frei trabalhava na Capela Nossa Senhora Aparecida, no bairro Pampulha.
Spricigo está preso desde o dia 8 de outubro do ano passado.
O frei morou em Agudos na década de 90 e no ano passado estaria residindo em Anápolis (GO).
O religioso também esteve detido em Goiás, sob acusações semelhantes. Ele foi libertado em setembro, voltou a Agudos e apresentou-se espontaneamente à polícia local, que já dispunha de um mandado de busca contra ele. Após se apresentar, ele foi recolhido à cadeia.